Quando o esporte vira leitura obrigatória: texto da CNU integra as provas do ENEM 2025

Autor: Maria Vitória Alves da Silva - Assistente de Comunicação Acadêmica

A reportagem ‘Como tornar o esporte uma ferramenta de inclusão’, escrita por Nayara Rosolen e publicada pela Central de Notícias Uninter (CNU) em 2021, ultrapassou seu ambiente original ao ser selecionada como base de uma questão do ENEM 2025. O exame, aplicado a aproximadamente 5 milhões de estudantes, segundo os dados são do Painel do Enem, disponibilizado no portal do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), escolheu um texto que discute desigualdades enfrentadas por atletas brasileiros e evidências de como políticas públicas, formação profissional e práticas educativas podem contribuir para um esporte mais equitativo.  

A repercussão do texto de Nayara Rosolen encontra eco na perspectiva acadêmica. Para Marcos Ruiz da Silva, coordenador do curso Bacaharelado em Educação Física, a discussão sobre esporte e desigualdade é essencial para compreender o papel transformador da prática esportiva na sociedade. Ele destaca a necessidade de uma formação universitária que vá além da técnica. “Para que o egresso desenvolva uma compreensão ampla e crítica, é essencial que o currículo contemple conteúdos que favoreçam a articulação entre diferentes saberes”, afirma. Disciplinas que abordam sociologia, políticas públicas e ODS, presentes na matriz curricular da instituição, contribuem para que os futuros profissionais compreendam o alcance social do esporte. 

Ruiz reforça que o esporte, embora frequentemente associado ao glamour, a grandes competições e a narrativas de sucesso, também revela desigualdades estruturais e barreiras que precisam ser enfrentadas. Por isso, a preparação de profissionais exige olhar crítico e responsabilidade social. “Os aspectos técnicos ou práticos são menos complexos do que preparar o profissional para compreender a responsabilidade de sua intervenção na vida das pessoas”, aponta. Essa reflexão envolve reconhecer preconceitos de gênero, barreiras territoriais, desigualdades de acesso e estigmas historicamente presentes nas práticas esportivas brasileiras. 

A escolha do ENEM, segundo o coordenador, tem dimensão formativa relevante. Ao levar à prova uma reportagem que problematiza o esporte como espaço de desigualdade, o exame contribui para expandir a compreensão crítica dos estudantes. Ruiz alerta que a ausência de reflexão pode levar futuros profissionais a reproduzir discursos ultrapassados. “O aluno que não desenvolver essa capacidade de interpretação e reflexão crítica, corre o risco de se tornar apenas um reprodutor de práticas prontas e […] poderá reforçar concepções equivocadas sobre o esporte’”, relata. Para ele, inserir esse debate em avaliações nacionais amplia a consciência dos jovens sobre o papel social do esporte e sobre a necessidade de atuação profissional ética e transformadora. 

Na visão da autora da matéria, a presença do conteúdo no ENEM reforça o papel do jornalismo no processo educativo. “Acredito que a circulação em avaliações como o Enem amplia o alcance social da reportagem, reconhece o conteúdo e o veículo como referência de leitura crítica e educativa, e fortalece o papel dos profissionais de jornalismo no processo de formação do pensamento crítico, especialmente para os estudantes que estão finalizando o ensino básico e desejam dar continuidade aos estudos no ensino superior, ainda mais na era de desinformação que vivemos”, afirma. 

 Esse alcance ganha ainda mais relevância quando se considera o impacto da formação crítica sobre as próximas gerações. “A visão de mundo de uma geração influencia diretamente os rumos do futuro, principalmente quando falamos da formação de profissionais que irão orientar as próximas gerações”, complementa Nayara. 

Para a editora-chefe da CNU, Larissa Drabeski, a escolha confirma a relevância pública de um trabalho jornalístico que já nasce orientado pelo interesse social. Segundo ela, a função do setor jornalístico da Uninter extrapola a comunicação institucional tradicional. “A CNU tem um papel muito importante de levar para a sociedade parte do conhecimento produzido na Uninter, afirma. Essa missão, explica Larissa, envolve tanto produzir conteúdo de qualidade quanto registrar iniciativas que refletem a identidade acadêmica e humanista da instituição. 

A editora ressalta ainda que a seleção do texto não representa um caso isolado ou eventual, mas o resultado de um trabalho contínuo orientado por rigor informativo, ética e responsabilidade social. A equipe, composta majoritariamente por estudantes e egressos da instituição, sob coordenação do jornalista e professor Mauri König, atua com atenção permanente à qualidade editorial. A presença no ENEM, portanto, aparece como consequência de uma linha editorial consolidada, que se dedica a produzir jornalismo universitário relevante e conectado às grandes pautas nacionais. 

Esse compromisso também se reflete no conjunto de conteúdos que a CNU tem desenvolvido ao longo dos últimos anos, sempre atenta a temas de relevância social e difundindo reportagens, programas e quadros que promovem debates sobre diversidade, cidadania e inclusão em diferentes formatos e mídias. Entre esses produtos estão o Papo Castiço, voltado às discussões sobre relações raciais, o Pajubá, dedicado à temática LGBTQIA+, reportagens relacionadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, além do Fato e Impacto, que analisa assuntos atuais com especialistas da instituição.  

A integração entre comunicação institucional e formação acadêmica aparece, assim, como um dos elementos centrais desta história. Enquanto a CNU produz e dissemina conteúdo que articula ciência, sociedade e impacto social, os cursos da instituição transformam esse conhecimento em prática pedagógica, crítica e profissional. A reportagem de 2021, ao alcançar o ENEM, torna-se um ponto de encontro entre esses dois campos: de um lado, o jornalismo universitário comprometido com o interesse público, de outro, a educação superior voltada à formação de cidadãos e profissionais conscientes. 

O resultado é um reconhecimento simbólico e concreto do papel da Uninter na promoção de debates relevantes para o país. Para Larissa Drabeski, comunicar com propósito significa contribuir para a construção de uma sociedade informada e crítica. Para Marcos Ruiz, refletir sobre o esporte como fenômeno social é essencial para a formação de profissionais comprometidos com a inclusão. A seleção da reportagem “Como tornar o esporte uma ferramenta de inclusão” reafirma, assim, a importância de pensar o esporte não apenas como competição, mas como campo de transformação social, e confirma o impacto do trabalho desenvolvido pela Central de Notícias Uninter ao longo dos anos. 

Incorporar HTML não disponível.
Autor: Maria Vitória Alves da Silva - Assistente de Comunicação Acadêmica
Edição: Larissa Drabeski
Créditos do Fotógrafo: Angelo Miguel/MEC


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *