É proibido desistir

 

Talita Santos – Estagiária de Jornalismo

Alcançar os objetivos desejado é um caminho longo e, muitas vezes, com muitos obstáculos. Lucas André Ferrari, de 27 anos, bem sabe disso. O atleta cheio de sonhos passou por muitos percalços para chegar ao topo. Participou de dois Parapan-Americanos, em Toronto (Canadá) no qual conquistou uma medalha de prata e em Guadalajara (México), com duas medalhas de prata. Também realizou duas provas na Espanha e foi para a Paralimpíadas de Londres, em 2012. O próximo desafio será nos Jogos Universitários 2017, de 26 a 30 de julho, em São Paulo.

Lucas encontrou no atletismo uma forma de aceitação e recuperação das dificuldades. Ele enfrentou um desafio ainda na infância, quando sofreu um acidente doméstico cuja consequência foi o rompimento de um pequeno nervo no cérebro, o que causou uma sequela que o acompanha até hoje. Lucas tem paralisia do lado direito do corpo e um leve comprometimento no aprendizado.

‘’Ele era muito hiperativo. Sofreu uma queda quando bebê, bateu a cabeça e rompeu uma artéria. Ficou 17 dias em coma, fez uma cirurgia para tirar um coágulo no cérebro, e levou mais um longo período de internação. No total, foram 23 dias hospitalizado. É bom alertar às mães que acham que uma quedinha não é nada, mas é questão de cuidado mesmo. As pessoas acham muito bonito uma criança hiperativa ou que pula etapas da vida, mas não é assim. Eles têm que ter o tempo deles’’, diz Rosângela Ferrari, mãe de Lucas.

Mesmo com um currículo de muitas participações e premiações internacionais, o atleta ainda não conseguiu patrocínio. Nesses oito anos em que está no atletismo, ele e sua família arcam com os gastos das viagens, hospedagens e alimentação. “É muito difícil um paratleta conseguir patrocínio. Acho que as pessoas não acreditam muito no paratletismo, não é igual ao futebol, por exemplo. Vejo que o atletismo não é tão valorizado aqui no Brasil como valorizam lá fora”, diz Lucas.

O atleta tentou vários esportes antes, mas quando conheceu um projeto voltado a paratletas, iniciou e se destacou logo na primeira competição. Mostrou garra e daí por diante não largou mais o atletismo.

“O esporte me ajudou muito. Eu não me aceitava como deficiente, me escondia dentro de casa porque não gostava de mostrar minha deficiência. Quando comecei a conhecer o esporte paraolímpico, percebi que havia pessoas com deficiências mais complicadas do que a minha e são felizes. O esporte me trouxe mais do que superação, me conquistou e conseguiu fazer com que eu me aceitasse na sociedade. Ainda falta um pouquinho, mas a gente vai trabalhando isso”, explica.

Além de ter uma agenda lotada com as viagens para competições, o rapaz também faz faculdade de Gestão Ambiental, no polo da Uninter em Florianópolis (SC). Ele fala que sempre gostou muito de natureza e por isso o curso o cativou. Com muita atitude e perseverança, continua se esforçando para atingir os seus objetivos.

“Digo para as pessoas não desistirem dos seus sonhos, assim como eu não desisti do meu. No primeiro treino, muitos acharam que eu não iria continuar e no dia seguinte eu estava lá, treinando. E também não desistam de estudar, isso é muito importante para o próprio desenvolvimento pessoal. Apenas não desista que um dia você consegue”, diz Lucas.

Para conhecer mais sobre o trabalho de Lucas, acesse o blog oficial dele e confira as novidades sobre o atleta.

Edição: Mauri König

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