Um “filme” produzido a cada hora para garantir o seu sucesso

Autor: Valéria Alves - Estagiária de Jornalismo

Quando se trata de cinema, é comum pensar nos Estados Unidos como referência. Afinal, 99 das 100 maiores bilheterias mundiais pertencem a estúdios do país. Contudo, a maior produtora cinematográfica do mundo é a Índia, com 1,2 mil filmes por ano. Nigéria, Estados Unidos, China e Japão vem a seguir no ranking, todos com menos de mil produções anuais. Somados, os cinco países produzem pouco mais de 3 mil filmes por ano.

Ok, mas o que essas informações tem a ver com a Uninter? A resposta é simples: a instituição tem 12 estúdios dedicados a gravação de vídeo-aulas nas sedes das Araucárias e da Treze de Maio, além do campus Tiradentes, todos em Curitiba (PR). Juntos, esses estúdios gravam 1.670 aulas de 55 minutos por mês, ou seja, 20 mil aulas por ano.

Considerando o tempo médio de duas horas de um blockbuster hollywoodiano, os estúdios da Uninter produzem o equivalente a 10 mil longa-metragens em um ano. Isso significa uma produção média de 27 “filmes” por dia, um por hora. Alguns recursos muito usados nas superproduções de cinema também são utilizados nas produções da Uninter. Seja em estúdios ou em gravações de externas, a equipe lança mão de drones, filmadoras de última geração, chroma-key, teleprompter, 3D, After Effects.

Claro que essa comparação só considera o tempo final da produção, sem levar em conta a logística, os custos milionários e as extraordinárias locações das produções cinematográficas. Porém, se fossem filmes, esses estúdios fariam 3,5 vezes mais do que o número somado dos cinco países que mais produzem longa-metragens no mundo. Embora o volume de produção final seja maior e algumas técnicas sejam equivalentes às de um filme convencional, a diferença é que aqui o objetivo não é entreter, e sim transmitir conhecimentos para uma vida profissional de sucesso.

O número é grande, mas o processo que envolve essas produções é maior ainda, envolvendo diferentes etapas, processos e uma grande equipe que trabalha diariamente para que as aulas possam ser entregues a todos os estudantes por meio do sistema Univirtus.

Ao total, 80 colaboradores trabalham nos 12 estúdios da instituição, e fazem parte da equipe de Sérgio Demomi, gerente de produção audiovisual da Uninter. Envolvendo a produção da editora e a transmissão das aulas, 150 colaboradores estão envolvidos nesse processo. A seguir, conheça mais sobre como esse trabalho funciona.

Produção

O processo de produção se inicia somente após a entrega das aulas para o professor ou professora, e há uma série de preocupações e processos a serem cuidados antes do início das gravações.

Antes, o texto passa por uma revisão minuciosa e pela confecção dos slides, que são utilizados nos vídeos para facilitar a aprendizagem do aluno. Também são realizadas a verificação dos direitos autorais (o que pode ou não ser utilizado), e a questão da iconografia (que inclui o uso de imagens para a representação de um determinado tema).

“Depois desse roteiro ser criado, o professor passa todo o conteúdo da aula para a produção, que transforma o texto em conteúdo audiovisual. Tudo estará distribuído: Qual será a abertura, o conteúdo e o encerramento da matéria, que são divididos em partes no momento da produção. Cada aula possuí sete partes”, explica Sérgio Demomi.

Para ele, a parte mais trabalhosa é transformar o texto bruto do professor ou da professora em uma aula com sequências e frases de efeito.

Coordenação e capacitação

A equipe dos estúdios entra em ação somente depois que a produção é concluída, agendando uma capacitação com o professor para que ele possa conhecer e aprender mais sobre as técnicas que serão utilizadas durante a aula.

Esse é o momento de tirar dúvidas sobre o enquadramento das câmeras, ter contato com a tela touch e toda a tecnologia à sua disposição, além de saber quais roupas deverão ser usadas e os outros detalhes que envolvem gravação, como marcação de cena e o movimentos durante a aula, por exemplo.

Ainda nesta etapa, que dura cerca de uma hora e meia e é realizada geralmente um dia antes da gravação, o coordenador acompanha o professor ou a professora até o estúdio para gravar uma aula simulada padrão, que depois é disponibilizada para que a coordenação aprove a aula. Somente depois desse momento, as aulas são agendadas.

Segundo Sérgio Demomi, a coordenação funciona da seguinte maneira:

  • Assim que o material chega, é feita a distribuição dos estúdios e da equipe que será responsável por atender e acompanhar o professor.
  • A cada aula, 10 pessoas são envolvidas: O professor ou professora, que deve chegar com antecedência no estúdio, passa primeiro pelo processo de maquiagem. Enquanto isso, os técnicos, o diretor de TV, o responsável pela câmera, o gerador de caracteres e o sonoplasta preparam o estúdio para a gravação.
  • Há também uma equipe de retaguarda, que oferece apoio para que o professor se sinta confortável para realizar a aula.
  • Quando não há equipe disponível para todos os horários de gravação, uma outra equipe é terceirizada.

Os estúdios

  • Araucárias

Somente na Sede das Araucárias da Uninter, seis estúdios estão disponíveis, sendo cinco deles para gravações e um dedicado à interpretação em Libras. Se utilizados em todos os horários disponíveis, o número de aulas gravadas pode chegar até a 950 por mês, capacidade máxima de produção.

Quando se trata dessas aulas que são disponibilizadas para os alunos através das rotas de aprendizagem no sistema Univirtus, duas delas são gravadas a cada período do dia (manhã, tarde, noite). Quando é ao vivo, é possível fazer até quatro aulas em um mesmo período, uma em sequência da outra, que saem do estúdio para o sistema via satélite e são disponibilizadas para o Brasil todo.

“Aqui nós temos três canais de satélite, então conseguimos usar três estúdios ao mesmo tempo para as aulas ao vivo. Um quarto estúdio eu ainda poderia estar usando para gravação. Ou seja, eu consigo fazer uma gravação e uma transmissão ao vivo ao mesmo tempo”, afirma Demomi.

  • Treze de Maio

As aulas interativas são aquelas onde os alunos podem participar através do chat, mandando suas perguntas e dúvidas para serem respondidas ao vivo pelo professor. Na Uninter, elas são gravadas nos estúdios da sede Treze de Maio, que possuem três chamados estúdios-espaços e transmitem três aulas simultaneamente via Univirtus.

Geralmente essas aulas não são gravadas, mas, sim, realizadas ao vivo durante a noite (chamadas aulas expressas). “São utilizados três estúdios na parte da noite, onde eu consigo fazer 4 aulas em cada um deles, somando 12 aulas. Duas aulas são gravadas de manhã e mais duas à tarde, essas não necessariamente ao vivo. Ao todo, a capacidade de gravação é de 600 aulas ao mês”, diz Demomi.

Na Treze de Maio, as aulas são coordenadas por um diretor de TV, que se comunica com o professor através de um fone, realiza o teste de áudio e diz o momento que ele deve entrar no ar – enquanto o responsável pela câmera já está atento –, para então iniciar a gravação de aproximadamente 55 minutos.

“Cada diretor controla um estúdio, e no próprio equipamento já são inseridas a vinheta de abertura, o GC (gerador de caracteres) com o nome do professor, e a vinheta de encerramento. A aula é corrida e já sai pronta”, explica Demomi.

  • Tiradentes

O estúdio-modelo está localizado no campus Tiradentes da instituição, onde estão os cursos de Comunicação, possuindo metragem profissional, chroma-key, cenário e câmeras de alta resolução e última geração. Por esse motivo, ele é visto como uma referência e como o pé-direito do padrão de produção para os outros estúdios.

“Quando o estudante vai participar de uma aula ao vivo ou fazer uma aula, ele vai em um estúdio de referência, onde tem toda uma suíte com parte técnica, sonoplasta, diretor de TV e o de cena, que faz parte do gerador de caracteres (GC) e do telepronter”, explica Demomi.

Diferente do que muitos pensam, o telepronter (TP), tela responsável por passar o texto que deve ser lido pelo apresentador, não mostra necessariamente o roteiro completo para o professor(a). Nesse estúdio, ele é utilizado apenas como um suporte.

“Os professores estão preparados para fazer uma aula como se fosse presencial, para ficar natural. 90% não possuí o uso do roteiro, só em alguns casos em matérias mais complexas e difíceis, onde alguns dados podem ser adicionados”, diz ele.

A capacidade de produção desse estúdio é de até 120 aulas por mês, e são utilizadas três câmeras, variando de planos durante a gravação. Assim, o professor possui liberdade para se movimentar durante a apresentação da aula.

Processo de edição e inovação no modo de produzir

Em 2019, os estúdios adotaram um novo meio de produção: a gravação de aulas externas. Ou seja, as produções não se limitam mais apenas aos estúdios. Agora elas estão nas ruas, em uma quadra esportiva, em um teatro, uma empresa e em diferentes lugares representativos para um determinado curso.

Para uma aula de Educação Física, por exemplo, a equipe gravou uma aula em uma quadra de vôlei, montando um time completo de jogadores e utilizando um drone para auxiliar nas filmagens dos movimentos do professor, do atleta sacando a bola e do espaço completo.

“O roteiro criado possuía uma divisão feita por cores, pois tinha a questão do saque, da defesa e do ataque, por exemplo. Isso é feito em computação gráfica, After Effects, 3D, e a imagem é toda produzida pela nossa produção”, explica Demomi.

Esse tipo de trabalho teve início esse ano, com 49 aulas sendo gravadas semestralmente pela equipe dos estúdios. A ideia é inovar, e esse processo também envolve planejamento.

“O diretor de cena pega o roteiro, marca a programação, pesquisa e contrata um ator. Em uma aula de biologia, por exemplo, é preciso de um laboratório, então eu irei precisar também de um microscópio e produtos para fazer o experimento que o roteiro pede. As histórias são feitas com o professor ou com um ator, e o pessoal do agendamento cuida dessa parte”.

A montagem desse material é feita na sede das Araucárias, e está incluída no processo de edição. Ao total, 16 editores são responsáveis por editar as aulas gravadas que compõem a rota de aprendizagem: 12 trabalham na sede das Araucárias, e quatro na Tiradentes.

Para isso, a equipe de produção deixa tudo o mais preparado possível para auxiliar nesse processo, com a imagem e o áudio perfeitos. Portanto, os editores são responsáveis por adicionar a abertura do vídeo, as passagens e possíveis imagens, como é o caso das gravações externas.

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Autor: Valéria Alves - Estagiária de Jornalismo
Edição: Mauri König
Revisão Textual: Jeferson Ferro
Créditos do Fotógrafo: Valéria Alves - Estagiária de Jornalismo


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