PPGENT comemora dez anos de existência com aula inaugural histórica

Autor: Nayara Rosolen - Jornalista

O Programa de Pós-graduação em Educação e Novas Tecnologias (PPGENT) da Uninter completa uma década neste ano. Com as primeiras turmas de mestrado em 2014 e de doutorado em 2019, já são mais de 200 mestres e doutores formados. Como registro histórico para consolidar a importância das ações do PPGENT no âmbito da comunidade acadêmica brasileira, o corpo docente realizou uma aula inaugural em comemoração no dia 08 de março de 2024.

O evento presencial no auditório do edifício Garcez também foi transmitido para os estudantes por meio do ambiente virtual de aprendizagem (AVA) Univirtus e o canal do Youtube de Educação e Tecnologia.

A coordenadora de Pesquisa, Iniciação Científica e Publicações Acadêmicas, Desiré Dominscheck, iniciou o cerimonial apresentando que a linha única de pesquisa “Formação docente em novas tecnologias” se materializa em teses, dissertações e produtos que “permitem uma melhor compreensão dos fenômenos educacionais aliados às novas tecnologias”. “Bem como a transformação da realidade dos alunos na condição de professores e multiplicadores, na busca pela qualidade dos processos de ensino-aprendizagem”, salientou a docente.

O vice-reitor da Uninter, Jorge Bernardi, o pró-reitor de Pós-graduação, Pesquisa e Extensão, Nelson Castanheira, e o coordenador do PPGENT, Luciano Frontino de Medeiros, realizaram a abertura da aula inaugural. Bernardi falou diretamente com os estudantes ao contar que aos 24 anos já tinha formação em duas graduações e pensava não ter mais que estudar. No entanto, poucos anos depois percebeu a necessidade da formação continuada e ingressou para o mestrado.

“Temos que estudar o tempo todo, porque a cada dia são acrescentadas coisas novas e, se você fica dentro da sua profissão dois ou três anos sem se atualizar, já fica para trás […] Temos que incentivar os professores e os estudantes a irem além”, afirma o vice-reitor.

Dentro do programa desde o projeto inicial, Medeiros diz ser gratificante ver o que o Mestrado e Doutorado Profissional em Educação e Novas Tecnologias se tornou.  “Todos os professores trabalham em função da linha de pesquisa que, de certa forma, está no próprio DNA da Uninter, a respeito dessa afinidade com as novas tecnologias educacionais sendo aplicadas em diversos processos de ensino aprendizagem”

Castanheira lembra que Medeiros já abordava a questão da inteligência artificial há dez anos, assunto muito em voga atualmente. E evidencia a importância de que os pesquisadores façam estudos realmente relevantes.

“Aquilo que vocês vão produzir, deverá ter uma qualidade tal que daqui 20, 40, 50 anos alguém leia e faça uma citação de vocês […] É isso que esperamos, que escrevam coisa que, de fato, valham a pena produzir. Para que as pessoas, no futuro não tão próximo, possam citá-los e vocês possam reviver. Sejam todos muito felizes ao longo dessa caminhada e estejam sempre conosco. Nós estaremos de portas abertas”, desejou o pró-reitor.

Aprendizagem criativa e o impacto do stricto sensu

Na primeira conferência, o coordenador da área de Educação da CAPES, Ângelo Ricardo de Souza, falou sobre como funciona o Sistema Nacional de Pós-Graduação (SNPG) e o subsistema de avaliação. O profissional apresentou algumas tensões que têm recaído sobre esse sistema, no sentido de avaliar potenciais desafios e caminhos para a pós-graduação, mais especificamente no campo da educação.

Souza afirma que, sendo uma etapa de ensino dentro no nível de educação superior, a pós-graduação é uma escola com estudantes, professores, currículo, trajetória e projeto formativo. O que a diferencia das outras é o fato de que a formação é promovida por meio e para a pesquisa, que é um elemento determinante.

Embora os alunos tenham que realizar estudos para trabalhos de conclusão de curso (TCC) nas graduações ou mesmo em especializações, que são pós-graduações lato sensu, muitos não têm noção do processo e têm a primeira experiência de pesquisa efetivamente no mestrado, que é do stricto sensu.

“São pessoas que além de sair com um título e ter aprendido bastante coisa, desenvolveram conhecimento, entregaram um relatório que será publicado na página do programa, disponível na biblioteca da instituição. Essa vocação no desenvolvimento de altos conhecimentos é o que nos diferencia”, explica o coordenador de área da CAPES, que levantou questionamentos e apresentou reflexões acerca deste cenário.

A Tecnologia, Inovação e Criatividade foi tema abordado pela professora da Secretaria Municipal de Educação (SME) de Curitiba (PR) Estela Endlich. A docente aponta que os objetivos da SME é participar do ecossistema de inovação da cidade, formar uma cidade educadora, promover desenvolvimento social, fomentar o empreendedorismo inovador e disruptivo, melhorar a qualidade de vida, promover a igualdade, exercer a sustentabilidade, criar a cultura de inovação e formar uma cidade inteligente.

Para isso, utilizam da aprendizagem criativa, por meio do Construcionismo, teoria do educador Seymour Papert. “Temos apostado muito no aprender criando ao invés do aprender fazendo”, destaca. A profissional conta que, desta forma, utilizam a base metodológica dos 4 Ps: projetos, paixão, pensar brincando e pares. No entanto, a rede de Curitiba propõe um 5º P, de propósito.

“Eu aprendo em uma oportunidade de trabalhar em algo que é significativo para mim, para o estudante, para o professor. E que tenha conexão com os nossos interesses que são nossas paixões. Quando eu faço algo que gosto, isso tudo se torna mais prazeroso. […] Muitas das nossas experiências do passado trouxeram o P de propósito, que é a questão da transformação social. Para que eu uso tecnologia? O que isso vai mudar na vida das crianças? Sair da automatização para um uso real”, enfatiza.

Dez anos de PPGENT

O projeto para o mestrado iniciou ainda em 2011, mas apenas em 2013 a Avaliação de Proposta para Novos Cursos (APNC) foi aceita pela CAPES. Embora sejam da vertente profissional e não acadêmica, Medeiros explica que o mestrado e o doutorado ofertados pela Uninter não diferenciam o título de mestre ou doutor dos formandos. A diferença diz respeito apenas à forma como é conduzido pela instituição.

“Eu costumo falar da aplicabilidade dos projetos que são desenvolvidos dentro de um programa profissional. A gente tem uma visão um pouco mais pragmática, no sentido de que aquilo que é pesquisado também possa ser um produto. Nós comentamos a respeito de PTTS, que são produtos técnico-tecnológicos, que os alunos precisam fazer no caso no mestrado e doutorado, além da própria dissertação ou tese […] Ele é muito tecnológico, mas valorizamos muito o aspecto humano dentro do nosso programa”, complementa o coordenado do PPGENT.

Desde a turma pioneira em 2014, foram contabilizadas 1.195 produções bibliográficas e 1.625 produções técnicas até 2022. Medeiros destaca a importância destas atividades tanto para o programa quanto para os pesquisadores. O coordenador lembra ainda que o corpo docente tem buscado trabalhar ações de internacionalização, como as parcerias com universidades estrangeiras.

Assim como a inserção social, que busca inserir o programa em ações e fazer com que o conhecimento gerado dentro do PPGENT possa contribuir com a sociedade. Algumas delas já noticiadas pela Central de Notícias Uninter (CNU), como é o caso da participação na Olimpíada Brasileira de Astronomia e Mostra Brasileira de Foguetes, a inauguração da Sala de Divulgação Científica Germano Bruno Afonso na Escola Municipal Ulysses Silveira Guimarães em Curitiba, a promoção de oficinas de robótica educacional em escolas de Campos Largo (PR), a participação na Cátedra da Unesco Cidades que Educam e Transformam e a parceria com o Observatório Astronômico de Campos dos Goytacazes.

O programa é composto por quatro grupos de trabalho: Novas tecnologias de ensino e de aprendizagem, com projetos dos professores Luciano Frontino de Medeiros e Rodrigo Otávio dos Santos; Educação a distância, com projetos dos professores Daniel Tedesco Guimarães e Glaucia da Silva Brito; Educação, Tecnologia e Sociedade, com projetos dos professores Rodrigo Otávio, Luis Fernando Lopes, Desiré Dominscheck e Joana Paulin Romanowski; Educação e Cidade (Educidade), com projetos dos professores Alceli Ribeiro Alves, Jeferson Ferro e André Luiz Cavazzani.

Durante o bate-papo com os estudantes, Medeiros falou sobre a integralização de créditos, com apresentação das disciplinas obrigatórias, disciplinas optativas, atividades programadas e trabalho de conclusão de curso. As aulas acontecem em periodicidade quinzenal, às quintas e sextas-feiras.

Impactos pessoais e profissionais do programa

No encerramento da cerimônia, os egressos do mestrado compartilharam com os calouros suas experiências e conquistas a partir da pesquisa. A pesquisadora Scheila Dantas estudou sobre a robótica educacional sustentável para alunos do ensino fundamental com altas habilidades e superdotação sob orientação do professor Medeiros. É a primeira da família com graduação. Os pais só têm o ensino fundamental, não concluído. Até hoje a mãe não entende o que é o doutorado, que ela também realiza pelo PPGENT.

“Isso mexe comigo profundamente. O orgulho de fazer parte disso, é muito grande. Ter tido acesso a professores, textos que não teria acesso se não fosse pelo mestrado e doutorado. Aprendo todos os dias e digo que ainda não acredito que estou terminando o doutorado, é incrível”, salienta.

Para o egresso Leandro Prado, o mestrado foi um divisor de águas. Orientado pelo saudoso professor Mario Alencastro, decidiu embarcar no desejo do orientador de estudar o estado da arte do movimento Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) no Brasil. Segundo o pesquisador, para além do fator financeiro, o título de mestre abriu muitas portas profissionais, com a possibilidade de atuar no ensino superior, participar de comissões do MEC e partilhar o conhecimento com outros pares. Trajetória que o levou para o doutorado e pós-doutorado.

“Não consegui me desvencilhar, parar e ficar acomodado diante dos cenários e tudo o que me inquietava. A mensagem que eu deixo é freiriana no sentido de esperança. Não uma esperança passiva, parada, mas no sentido de esperançar, correr atrás e fazer acontecer. Desejo muito sucesso nas pesquisas e muitas publicações, porque isso enriquece o nosso currículo, mas também nos refina a cada dia “, afirma.

A egressa Cristina Chagas pesquisou sobre os ganhos cognitivos que os jogos digitais poderiam gerar para os professores, com orientação do professor Alvino Moser. Conforme relatou, a experiência do mestrado a tornou uma profissional e uma cidadã melhor. “Eu saía das aulas impactada. São coisas que mexem com a gente e eu falo em relação a todos os professores incríveis”, declara.

“Não é toda instituição que tem um corpo docente disposto a te ouvir, a te entregar o que te entregam. Lembro até hoje quando, na qualificação, o professor Luciano devolveu minha escrita cheia de anotações. Fiquei tão feliz e pensei ‘quero ser essa professora’. Quero ler o artigo de cada aluno e saber onde posso contribuir, quero compartilhar o meu conhecimento com essa dedicação, essa paixão. Apreciem o corpo docente e usufruam. Não vai ser fácil, mas vai valer tanto a pena”, garante Cristina.

A cerimônia foi dividida em duas partes, manhã e tarde, que segue disponível para livre acesso no canal de Educação e Tecnologia. Ainda naquele dia, os profissionais realizaram um coquetel de lançamento de seis livros do PPGENT: Potencialidades e limitações; Encurtamento de distâncias na contemporaneidade; Formação docente, inteligência artificial e humanismo em tempos de desafio; Professores e suas práticas; Perspectivas teóricas e práticas da educação contemporânea; e Desafios dos cenários de aprendizagem. Distribuídos gratuitamente para os presentes.

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Autor: Nayara Rosolen - Jornalista
Edição: Larissa Drabeski
Créditos do Fotógrafo: Natalia Schultz Jucoski e Nayara Rosolen


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