Os caminhos para se fazer cinema fora do eixo
A criação do cinema marcou uma grande revolução na História. O que começou como breves recortes da vida real, logo se tornou uma forma de contar histórias tão amadas pelas pessoas. Muito antes da invenção da televisão, o cinema era o lugar para rir, se emocionar e se divertir. Por isso, além de entretenimento, o cinema se tornou uma forma de arte. E diversos cineastas marcaram a história do cinema com seu jeito próprio de fazer essa arte.
Steven Spielberg, George Lucas, Martin Scorcese e Francis Ford Coppola são exemplos de cineastas mais conhecidos. Com suas características próprias, marcaram a história do cinema e a vida de tantos amantes da arte. Mas existem tantos outros cineastas, bem menos conhecidos, que também deixam suas marcas na história do cinema. Mas qual o caminho certo para produzir cinema como eles? Existe uma trilha a seguir? E uma pergunta mais profunda: o que é fazer cinema?
Lucas Estevan Soares é um cineasta curitibano, diretor do filme Coração de Neon, lançado em 2022 e premiado em diversos festivais. Ele responde essas perguntas falando sobre sua vida e sua carreira. Para Lucas, o primeiro passo para se tornar cineasta veio da imaginação infantil: ser uma criança sonhadora e ter o apoio dos pais para seguir carreira artística.
Não existe um caminho único para fazer cinema, mas o jovem Lucas pensava que precisaria estar nos grandes centros culturais para se encontrar. Foi após sua formação no Rio de Janeiro que Lucas, nas suas viagens internacionais, começou a gravar os seus primeiros documentários. Mesmo sem uma equipe e sem roteiro preparado, esses documentários foram o local de aprendizado para o diretor, marcando seu estilo próprio de fazer arte, o chamado Cinema Novo.
“Alguns críticos colocaram o filme [Coração de Neon] como um novo cinema popular brasileiro, mas é por causa disso. É esse olhar do cinema novo, de não ter medo, de esse lance de ser um pouco destemido. Então, acho que isso faz parte da essência do meu trabalho e eu tenho fascínio por isso. Acho muito legal você pegar uma câmera e sair pelo mundo e trazer uma história, e essa história virar uma discussão, uma conversa”, diz.
Depois de 20 anos longe de suas origens, buscando uma carreira no eixo Rio-São Paulo (os grandes centros da indústria audiovisual nacional), foi no bairro onde nasceu e cresceu, o Boqueirão, em Curitiba, que Lucas teve oportunidade de se destacar como artista e diretor. Em 2022, lançou seu primeiro longa-metragem, Coração de Neon, exibido no Festival de Cannes e premiado em diversos festivais, incluindo os festivais internacionais de cinema de Moscou, na Russia, e de Houston, nos EUA.
“Ter feito o filme no bairro tem esse lugar pra mim. Eu aprendi a respeitar mais a minha origem e valorizar mais a minha origem também, porque ela me faz ser quem eu sou, me faz ser único, me faz ser, me faz ter uma experiência diferente. E, querendo ou não, é minha essência”, conta.
Produzido pela sua própria produtora, a IHC, totalmente independente e com recursos próprios, o diretor afirma que esse é seu legado e o início de sua contribuição para o cinema brasileiro. O filme conta a história de Fernando, que trabalha com seu pai em um serviço de telemensagem. Após uma tragédia, Fernando tem sua vida toda mudada. É um filme que faz um resgate cultural dos carros de telemensagem, mas aborda temas sobre luto e reconstrução, explorando diferentes camadas de emoções.
Para Lucas, o caminho ainda não está completo. Aliás, nunca se completa, pois sempre há novas histórias para contar. A beleza do cinema como arte é exatamente conhecer história e poder compartilhar. Lucas contou sobre suas vivências no cinema, as histórias que conheceu ao longo do caminho e os projetos futuros no programa Art& Cultura da TV Uninter. A entrevista completa pode ser conferida clicando aqui.
Créditos do Fotógrafo: coracaodeneon.com



