Encontros reúnem vozes de lideranças femininas no mês da mulher
Autor: Renata Cristina - Assistente de comunicação
Quando o tema é liderança feminina, por vezes, o pioneirismo quase sempre aparece como plano de fundo. Em um cenário no qual as mulheres ainda fazem parte da minoria quando o assunto é cargos de liderança, a superação, a coragem e a transformação ganham ainda mais relevância. Pensando em inspirar outras mulheres, o Ciclo de Palestras organizado pelo time do setor de Gerenciamento de Projetos (PMO) da Uninter reuniu quatro palestras reunindo lideranças da instituição, semanalmente, durante o mês de março.
No encontro realizado no dia 18 de março, a Diretora Executiva Marlene Telles trouxe detalhes da sua trajetória. Nascida no interior do Paraná, viveu a infância entre o trabalho no campo e uma realidade de poucos recursos financeiro. Apesar de uma vida sem luxos, Marlene contou com a base solida de uma mãe que enxergava na educação o caminho para a transformação dela, e de suas irmãs. Foi o que motivou a mudança à Curitiba, onde estudou Ciências Contábeis, na Universidade Federal do Paraná.
E seguindo o legado da mãe, que prezava pela educação, Marlene destacou durante sua fala a importância de estar preparada para as oportunidades que aparecem, buscando sempre a excelência. “Muitas pessoas acham que não podem, mas, se tiver vontade, nós podemos ser o que quisermos. Só que o que você escolher, seja a melhor que você puder. É isso que faz a diferença”, afirma. “Eu sempre me preparei para estar pronta quando surgisse uma oportunidade”, destaca.
Durante a fala, a CEO também recordou que o caminho até a liderança não foi simples e, por vezes, solitário, conciliando a família a uma rotina corrida. Ponto de partida para buscar o equilíbrio foi quando os filhos, ainda adolescentes, não viam na mãe uma companhia. “Uma vez eu cheguei em casa, estava com a minha família e eles conversavam entre eles, como se eu não existisse”, relembra.
Foi a partir desse episódio que a CEO do Grupo Uninter entendeu a importância de buscar o equilíbrio entre buscar seus objetivos, sem esquecer da vida pessoal.
Para liderar, não existe receita de bolo
O segredo para a liderança não é uma ciência exata, vem da subjetividade individual. A construção é feita a partir do conhecimento adquirido, das vivências e valores de cada um, que formam uma líder e, por essa razão, é importante ter ciência de que: “Cada passo que se sobe é mais pesado. Você tem que ter sabedoria e discernimento para saber a escolha certa. Se usar o cérebro e o coração, você vai conseguir achar a escolha adequada”, afirma Marlene.
Acrescentando outros pontos a respeito de liderança, em palestra realizada no dia 25 de março, Isis Marcelino, Diretora de Tecnologia da Informação, trouxe sua fala no ciclo de palestras, encerrando a programação on-line. Isis passou do empreendedorismo à área de tecnologia, predominantemente liderada por homens.
Durante sua fala, a diretora abordou um pouco de sua vida pessoal, para afirmar que é possível recomeçar quantas vezes forem necessárias e isso faz parte do processo de formação.
Além disso, trouxe também questões internas que causam insegurança na hora de liderar. Entre os tópicos, a síndrome da impostora, excesso de autocobrança, dificuldade de se expor, conflito entre firmeza e aceitação social.
Para a diretora, liderar um time de sucesso passa por três etapas fundamentais, sendo elas a escuta ativa, feedback e complementariedade de talentos, afinal, grandes times não são formados por pessoas iguais e sim, por pluralidade.
Sua trajetória é marcada pelo objetivo de não replicar modelos prontos, mas sim, pela escolha de construir ambientes mais inclusivos e colaborativos. Como Diretora de TI da Uninter, Isis busca não “somente” ocupar esse espaço, mas sim, transformá-lo. “Se a gente quer ampliar nosso espaço, não vamos replicar um modelo”, afirma Isis.
A conexão entre duas trajetórias integridade, resiliência e decisões difíceis, muitas vezes silenciosas. O laço invisível que as conecta passa por sororidade como estratégia e prática diária a ser construída, prezando não as conquistas individuais, mas também coletivas, pensando na sonoridade como estratégia. “Se eu não posso ser vista naquele momento, porque não colocar uma outra mulher pra ser vista. Também é uma estratégia porque eu também vou colocar mais exposição feminina no mercado”, aconselha a Diretora de Tecnologia da Informação
As palestras tiveram momentos de comoção ao final de cada fala, indo além do compartilhamento de experiências, consolidando um espaço de aprendizado e fortalecimento coletivo ao dar voz a mulheres.
Encerramento
Além das palestras on-line, houve também o evento de encerramento do Ciclo, realizado no dia 27 de março, presencialmente na Unidade das Araucárias. Em formato de mesa-redonda, contou com as palestrantes das semanas: a Diretora da Escola Superior de Educação, Dinamara Pereira Machado, a Gerente Jurídico Corporativo & compliance officer, Carolina Rodrigues Gomes do Amaral, mostrando a importância do evento que contribuiu para ampliar perspectivas e incentivar novas trajetórias.
Para o Gerente de Projetos e idealizador do evento, Marcelo Ricardo da Silva, o balanço foi extremamente positivo, conectando não somente as colaboradoras do setor de TI, mas também de toda a instituição. “O evento foi criado especialmente pelas mulheres, feito pelo meu time, que predominantemente é mulher, com 85%, e não é uma realidade do TI. O TI hoje tem mais ou menos 19% de mulheres. Então a criação toda é um presente, não só para as mulheres do TI – em primeiro plano – mas também para as mulheres da Uninter. Que a gente possa discutir essa presença, que a gente possa falar dessa conexão entre as mulheres e inspirar”, salienta.
A Analista de Projetos, Mirian de Oliveira Ambrózio, fez parte da organização do evento, e para ela, a satisfação em participar se deu logo nos primeiros passos. “Quando pediram para eu fazer a parte do gerenciamento do projeto, já fiquei muito feliz porque o projeto, em si, é muito legal. Você trazer mulheres que têm um posicionamento na empresa de alto nível, igual esse que a gente trouxe, traz uma alegria para gente. Uma esperança para as mulheres que trabalham ali. Eu sou da TI, então temos poucas mulheres. Foi muito inspirador”, exalta.
Mais do que discutir liderança feminina, os encontros durante todo o mês reforçaram a importância de criar ambientes inclusivos e igualitários. Mulheres ocupando espaços de decisão e quando se apoiam de maneira mútua, transformam as próprias histórias e a sociedade como um todo e isso foi refletido na mesa final.
Isis finaliza ressaltando à proporção que o evento tomou durante as semanas, até o evento final. “A popularidade que ganhou esse evento foi maior do que a gente imaginava. Outras mulheres pediram para participar, para ouvir as palestrantes e assim foram trazendo mais mulheres. Na última palestra nós tivemos um engajamento bem maior do que a gente tinha planejado, então foi lindo. E esse é o ponto mais importante: serve para o aprendizado do quão importante é ter um espaço para que as mulheres conversem e troquem experiências porque todas querem ouvir um pouquinho, falar um pouquinho e a gente aprende muito quando escuta uma outra mulher falar da sua trajetória”, concluiu.
Autor: Renata Cristina - Assistente de comunicaçãoEdição: Larissa Drabeski
Créditos do Fotógrafo: Maria Vitória Alves da Silva




