Da Andaluzia para o Brasil, flamenco finca raízes em Curitiba

Autor: Ketlyn Laurindo da Silva - Estagiária de Jornalismo

 

O flamenco, expressão artística que reúne canto, dança e musicalidade, tem raízes na região da Andaluzia, no sul da Espanha. Marcada pela intensidade e pela força cênica, a manifestação cultural atravessou séculos e fronteiras até se consolidar como uma das principais tradições artísticas espanholas. 

Embora sua origem seja antiga, foi a partir do século XIX que o flamenco ganhou projeção além do ambiente popular. Nesse período, surgiram os chamados cafés cantantes, espaços que funcionavam como casas de espetáculo e contribuíram para a difusão da dança e da música flamenca. 

Com o tempo, a arte se expandiu para diferentes países e conquistou novos públicos. Em reconhecimento à sua importância histórica e cultural, o flamenco foi declarado Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO em 2010. 

Essa trajetória de expansão também se reflete no Brasil. O tema foi abordado no programa Art&Cultura, exibido em 26 de março, no canal da TV Uninter, que teve como convidada a bailarina, coreógrafa e diretora artística Carmen Romero, fundadora do grupo Carmen Romero Dança Flamenca. 

Natural de Bagé (RS) e descendente de espanhóis, Carmen iniciou sua trajetória na dança clássica e passou por outras vertentes, como a dança folclórica e a polonesa. Foi em Porto Alegre que começou a lecionar, inicialmente para o público infantil. “Comecei dando aulas para as crianças, ensinando o pé de bailarina e o pé de palhaço de forma lúdica”, relembra. 

Ainda jovem, mudou-se para Curitiba, onde fundou sua própria escola de flamenco. Segundo ela, o desejo de autonomia artística foi determinante para essa decisão. “Quando você está em um grupo, precisa seguir as regras do diretor ou coreógrafo. Eu queria algo diferente. Queria que meu corpo transmitisse a força da dança flamenca”, afirma. 

Com mais de três décadas de atuação, a escola já formou mais de mil alunos. Para Carmen, a autenticidade foi essencial ao longo dessa trajetória. “Resolvi fazer o flamenco à minha maneira. Sou uma mulher nascida no Rio Grande do Sul, com influências de outras áreas artísticas. Isso construiu a minha forma de bailar”, explica. 

O início, no entanto, foi marcado por desafios. Carmen acumulava diferentes funções para manter o espaço em funcionamento. “Eu cuidava do financeiro, dava aula e atendia telefone. Fazia tudo sozinha e não sabia se daria certo”, conta. 

Com o passar dos anos, o apoio dos alunos foi fundamental para o crescimento da escola. “Eles vestiram a camisa e quiseram melhorar o espaço. Isso vale tanto para a estrutura quanto para a qualidade das aulas”, destaca. 

Reinvenção na pandemia 

Durante a pandemia de Covid-19, a escola precisou se adaptar ao formato online. Mesmo diante das dificuldades, Carmen contou com o apoio dos alunos para manter as atividades. “Durante dois anos, cerca de 30 alunos permaneceram comigo nas aulas virtuais. Isso me ajudou a me sustentar como artista”, relata. 

No início do isolamento, a professora não tinha equipamentos adequados para as aulas remotas. Uma aluna, então, presenteou-a com iluminação, gesto que simbolizou o engajamento coletivo para manter a escola ativa. 

Atualmente, o grupo Carmen Romero Dança Flamenca funciona na Rua Nilo Cairo, 240, no Centro de Curitiba. O espaço oferece aulas experimentais e mantém viva a tradição do flamenco na capital paranaense. 

Assista ao programa completo no canal da TV Uninter.

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Autor: Ketlyn Laurindo da Silva - Estagiária de Jornalismo
Edição: Mauri König
Créditos do Fotógrafo: Reprodução


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