Entre a saúde e a estética, quais os limites das canetas emagrecedoras?

Autor: Ketlyn Laurindo da Silva - Estagiária de Jornalismo

O avanço da obesidade no Brasil tem transformado os hábitos de saúde da população e intensificado a busca por soluções rápidas para emagrecer. Dados do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, mostram que a proporção de adultos com obesidade mais que dobrou nas últimas duas décadas, passando de 11,8% em 2006 para 25,7% em 2024. No mesmo período, o excesso de peso passou a atingir 62,6% dos brasileiros, o equivalente a cerca de seis em cada dez adultos.

Nesse cenário, ganham espaço as chamadas “canetas emagrecedoras”, medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1. Indicados para o tratamento de doenças como diabetes e obesidade, esses fármacos têm sido cada vez mais utilizados fora do contexto clínico, impulsionados pela busca por resultados rápidos e por padrões estéticos. Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), apontam aumento nas notificações de eventos adversos associados a esses produtos, acompanhando a expansão do consumo no país. Ao mesmo tempo, organismos internacionais como a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluem os agonistas de GLP-1 nas diretrizes para o tratamento da obesidade, destacando a eficácia na redução de peso, mas com ressalvas quanto a custos, acesso e segurança a longo prazo.

O tema foi discutido no programa Saúde em Foco, exibido em 24 de março, com apresentação do professor da Escola Superior de Saúde Única (ESSU) Dimas de Almeida Araújo e da professora e tutora do curso de Estética e Cosmética Emily Fernanda da Silva. 

Para explicar como esses medicamentos atuam no organismo, Dimas afirma que o principal efeito está relacionado à redução do apetite. “Esse medicamento atua basicamente como um inibidor do apetite. O estômago passa a ter um esvaziamento mais lento, o que prolonga a sensação de saciedade”, explica. 

A perda de peso acelerada, no entanto, pode trazer impactos ao corpo, especialmente no aspecto estético. Segundo Emily, a flacidez é uma das principais consequências. “Quando há uma redução rápida das células de gordura, a pele não acompanha essa mudança na mesma velocidade, o que pode resultar em flacidez”, afirma. 

A professora também alerta para os riscos da automedicação e do uso sem orientação profissional. “Muitas pessoas não sabem como utilizar corretamente, por quanto tempo ou qual é a dosagem adequada. Esse uso inadequado pode causar efeitos colaterais como náuseas, diarreia e dores de cabeça intensas”, pontua. 

Os especialistas reforçam que o emagrecimento deve ser conduzido de forma segura, com acompanhamento profissional e orientação clínica. Em meio à crescente procura por resultados rápidos, o uso desses medicamentos fora das indicações médicas levanta alertas sobre os limites entre saúde e estética.  

 Assista ao programa completo no canal do YouTube da TV Uninter.

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Autor: Ketlyn Laurindo da Silva - Estagiária de Jornalismo
Edição: Mauri König
Créditos do Fotógrafo: Pixabay


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