Celular roubado: o crime cotidiano que desafia o Brasil
Autor: *Gerson Luiz Buczenko
No Brasil, aproximadamente dois aparelhos celulares são roubados ou furtados por minuto ao longo do ano. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública foram registrados 917.748 roubos e furtos de celulares no território brasileiro, no ano de 2024, sem contar ainda os casos de subnotificação, ou seja, os casos de furto/roubo que não foram relatados às autoridades policiais. Com isso, há projeções de que cerca de 28 celulares são roubados ou furtados por minuto no país, em São Paulo, por exemplo, calcula-se que mais de 600 celulares são roubados por dia, fato que, infelizmente se repete em outros grandes centros urbanos.
Para coibir esse aumento de casos, o Governo Federal avança com mais uma medida importante contra o furto e roubo de celulares no Brasil. Recentemente foi criado o Banco Nacional de Celulares com Restrição (BNCR), por meio do Decreto 13.034, com o objetivo de reunir informações sobre aparelhos furtados ou roubados em todo o território nacional. Essa base de dados, alimentada com informações dos crimes já ocorridos nos estados da federação e municípios, tem como objetivo armazenar e gerenciar as informações sobre os aparelhos.
Essa base de dados também integrará o Sistema Nacional de Informações de Segurança (SINESP) e substituirá o Cadastro Nacional de Celulares com Restrição. Dessa forma pretende-se que as informações sejam compartilhadas entre as instituições de segurança pública do país, com reflexos positivos para uma cooperação nacional, foco do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP).
A prática criminosa do furto ou roubo de celular atinge a todos de uma forma geral, principalmente pessoas que se deslocam em ruas pouco movimentadas, que permanecem em paradas de ônibus mais isoladas ou ainda, no interior do transporte coletivo. Condição que gera um impacto financeiro gigantesco para o país e, consequentemente, para toda a população vítima dessa prática criminosa.
De toda a forma, esses avanços não podem ser motivo para o relaxamento das autoridades policiais na atuação contra os furtos e roubos de celulares, principalmente nos grandes centros urbanos. Não se deve manter uma postura reativa, ou seja, daquela que espera acontecer para em seguida agir, almeja-se que as forças policiais tenham uma atitude proativa, no sentido de atuar fortemente contra a prática desse crime, com a devida retenção dos criminosos nas malhas da justiça, por intermédio de uma ação eficaz do Ministério Público e do Poder Judiciário.
Outra linha de ação importante, advém de ações contra o comércio ilegal de telefones celulares furtados/roubados, pois é importante que essa prática criminosa seja combatida em todas as frentes e que passe a preponderar a ideia de que esse crime não compensa.
Não é de hoje que o comércio ilegal de celulares, fruto de ações criminosas, ocorre de forma diuturna em grandes centros alimentando outros negócios ilegais, como o tráfico e o consumo de drogas ilegais, bem como a receptação e revenda de aparelhos, em que pesem as ações do governo federal como o Celular Seguro. Em São Paulo, por exemplo, no mês de março, na região de Tatuapé, em uma única Operação a Polícia Civil apreendeu 250 celulares com suspeitas de furto/roubo.
Por sua vez, o contrabando, ou seja, a entrada ilegal de aparelhos celulares movimenta um comércio intenso em grandes capitais do Brasil. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (ABINEE) estima-se que 90% do smartphones contrabandeados para o Brasil sejam negociados via marketplaces, com cerca de 38% abaixo do valor de mercado.
Diante dessa realidade a sociedade brasileira segue, à espera de mais resultados efetivos.
*Gerson Luiz Buczenko é Bacharel em Segurança Pública. Licenciado em História e Pedagogia. Especialista em História Cultural e Administração Policial Militar. É Mestre e Doutor em Educação. Professor na Uninter, atua na Coordenação do Curso Superior de Tecnologia em Segurança Pública.
Autor: *Gerson Luiz BuczenkoCréditos do Fotógrafo: Pexels
