Biólogo está na linha de frente da conquista do Prêmio Nobel de Medicina

Autor: Vera Lucia Pereira dos Santos e Allyson Felipe da Silva*

Mais uma vez, a pesquisa na área de Ciências Biológicas ocupa lugar de destaque no cenário científico internacional ao estar representada entre os vencedores do Prêmio Nobel de Medicina, a mais prestigiosa honraria da ciência. Esse reconhecimento reforça a importância das pesquisas biológicas para a compreensão dos mecanismos da vida e para o desenvolvimento de descobertas capazes de revolucionar a medicina, a saúde, beneficiando assim a sociedade como um todo.

Um dos vencedores foi o pesquisador alemão Georg Nagel, graduado em biologia e doutor em biofísica, que compartilhou a premiação com Karl Deisseroth, médico psiquiatra, neurobiólogo e bioengenheiro, professor da Universidade Stanford, e com Peter Hegemann, químico, doutor em biofísica e professor da Universidade Humboldt de Berlim.

Os três cientistas compartilharam o Prêmio Nobel por suas descobertas sobre optogenética, uma técnica que utiliza a luz para controlar e investigar células nervosas e que permitiu demonstrar como os neurônios atuam no controle de memórias e comportamentos em organismos vivos. A origem dessa descoberta remonta aos estudos de Peter Hegemann a respeito de uma alga unicelular denominada Chlamydomona e que buscava compreender como esse organismo se desloca em direção à luz.

No início dos anos 2000, Hegemann e Nagel identificaram na superfície dessa alga uma proteína denominada canalrodopsina, capaz de responder à luz. Quando exposta à luz azul, essa proteína abre um canal que permite a entrada de íons na célula, gerando um impulso elétrico. Posteriormente, Karl Deisseroth aplicou essa descoberta ao sistema nervoso, inserindo em neurônios de camundongos o gene responsável pela produção da canalrodopsina.

Dessa forma, ao iluminar essas células com luz azul, foi possível ativar sinais nervosos de maneira controlada, funcionando como um interruptor acionado pela luz. Essa possibilidade abriu caminho para o estudo mais detalhado dos circuitos cerebrais envolvidos em processos como memória, emoções e comportamento, além de ampliar a compreensão dos mecanismos associados a doenças neurológicas e psiquiátricas. Além de sua importância para a pesquisa científica, a técnica da optogenética vem sendo explorada em aplicações terapêuticas.

De acordo com o Comitê Nobel, essa tecnologia já está sendo utilizada em pesquisas que visam recuperar a visão de pessoas com deficiência visual. Esse exemplo também mostra como a educação tem um papel importante na ciência. É na Educação Básica que muitos estudantes têm seus primeiros contatos com Ciências e Biologia. Nesse momento, o ensino pode ajudar a desenvolver a alfabetização científica e fazer com que os alunos entendam melhor as informações científicas que fazem parte do seu dia a dia.

Na graduação, esse trabalho continua. Formamos professores que levarão esses conhecimentos para as escolas e bacharéis que poderão atuar na pesquisa, na produção e também na divulgação da ciência. Nos cursos de Ciências Biológicas da Uninter, esse cuidado também faz parte da formação dos estudantes, através de Atividades Práticas que os alunos desenvolvem em várias unidades curriculares.

Vale a pena salientar, que uma descoberta como a optogenética não precisa ficar restrita aos laboratórios. Quando a ciência é ensinada e bem comunicada, ela pode ser compreendida por mais pessoas e fazer parte das escolhas e discussões da sociedade.

* Vera Lucia Pereira dos Santos é doutora em Medicina Interna pela UFPR, professora da Área de Geociências da Escola de Educação, Humanidades e Línguas da Uninter.

* Allyson Felipe da Silva é mestre em Ensino de Ciências, doutorando em Ensino de Ciências, e professor da Área de Geociências da Escola de Educação, Humanidades e Línguas da Uninter.

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Autor: Vera Lucia Pereira dos Santos e Allyson Felipe da Silva*
Créditos do Fotógrafo: Reprodução redes sociais


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