Atividade física: quando envelhecer também significa estar em movimento

Autor: Paloma Herginzer*

A prática de atividade física vem ocupando um espaço cada vez maior na rotina dos brasileiros. O percentual da população que pratica exercícios regularmente passou de 37%, em 2023, para 56%, em 2026, conforme dados recentes da Brain Inteligência Estratégica. O crescimento é expressivo e revela uma possível mudança na relação dos brasileiros com o movimento e o cuidado da saúde.

Mais do que o aumento no número de praticantes de exercícios, chama atenção a transformação no perfil de quem está se exercitando. A Geração X, formada por pessoas entre 45 e 60 anos, apresentou um crescimento significativo: a prática regular passou de 32% para 51%. Já entre os maiores de 60 anos, os chamados baby boomers, observa-se um protagonismo que merece ser destacado. Os idosos estão mostrando, na prática, que envelhecer não significa necessariamente reduzir a participação social, abandonar atividades ou aceitar a perda de funcionalidade como algo inevitável.

Durante muito tempo, a atividade física foi associada principalmente à juventude, à estética e ao desempenho. Hoje, essa visão começa a mudar. A presença cada vez maior desse público nas atividades físicas representa uma conquista importante. Caminhadas, musculação, exercícios funcionais, dança, hidroginástica e outras modalidades podem fazer parte de uma rotina ativa, desde que respeitadas as características e necessidades individuais.

O objetivo não deve ser competir com os mais jovens, mas preservar aquilo que é essencial para viver com autonomia: força, equilíbrio, mobilidade, disposição e capacidade funcional. Outro aspecto interessante é que a relação com o exercício parece estar se tornando mais realista. Em vez da ideia de que é necessário treinar todos os dias, uma frequência de três a cinco vezes por semana pode ser mais compatível com a vida cotidiana. Para os idosos, essa perspectiva é especialmente importante. A atividade física precisa ser segura, prazerosa e sustentável, e não mais uma fonte de cobrança.

Esse movimento representa algo maior do que uma mudança de comportamento. Ele aponta para uma transformação na própria maneira de enxergar o envelhecimento. Uma pessoa idosa fisicamente ativa não está apenas praticando exercícios: está investindo na manutenção de sua independência e na possibilidade de participar de forma mais ativa da sociedade.

Entretanto, ainda existem desafios. Nem todos os idosos possuem acesso a academias, espaços públicos adequados, programas de atividade física ou profissionais capacitados para atender às particularidades dessa população. Questões econômicas, segurança, mobilidade urbana e falta de políticas públicas também podem dificultar a continuidade dessas práticas. Por isso, o aumento da atividade física entre os brasileiros deve ser comemorado, mas também deve provocar reflexão.

Se queremos uma população que envelheça com mais saúde e autonomia, precisamos garantir oportunidades para que o exercício esteja disponível ao longo de toda a vida. O protagonismo dos idosos nos dados atuais deixa uma mensagem importante: envelhecer não precisa significar parar. Pelo contrário, pode significar encontrar novas formas de se movimentar, conviver e cuidar de si. Pense nisso.

* Paloma Herginzer é formada em licenciatura em Educação Física, especialista em Educação Especial e Inclusiva e Formação Docente EAD. Professora tutora dos cursos da área da educação de pós-graduação da Uninter.

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Autor: Paloma Herginzer*


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