A vida cada vez mais sedentária
Autor: Paloma Herzinger*
Os números revelam uma realidade preocupante sobre nossa relação com o movimento. Em julho de 2026, a ASICS, empresa multinacional japonesa de artigos esportivos, realizou o estudo global State of Mind, com 34 mil participantes de 31 países, incluindo o Brasil, para investigar os níveis de atividade física e sua relação com o bem-estar. A pesquisa considerou recomendações internacionais, entre elas as da Organização Mundial da Saúde (OMS).
No Brasil, 59% dos participantes não atingem os 150 minutos semanais de atividade física recomendados e 35% realizam menos de 30 minutos por semana. O país aparece como o terceiro com maior percentual de adultos nessa última condição entre os 31 países analisados.
Outro dado impressionante: considerando aproximadamente 16 horas acordados por dia, os brasileiros estimam permanecer 88% desse período praticamente sem se movimentar cerca de 14 horas diárias. Além disso, 53% afirmam que conseguiriam permanecer três dias ou mais sem sair de casa. Entre os jovens de 18 a 24 anos, esse percentual chega a 60%. O cenário global também preocupa.
Entre os participantes dos 31 países, 53% não alcançam os níveis recomendados de atividade física e 23% realizam menos de 30 minutos semanais. Entre os jovens de 18 a 24 anos, 57% não atingem as recomendações e 92% relatam consequências negativas, como piora do humor, aumento do estresse e problemas relacionados ao sono. Esses números precisam ser vistos como um alerta.
Não estamos falando apenas de frequentar academias ou praticar esportes. Caminhar, pedalar, dançar e incorporar diferentes formas de movimento ao cotidiano também contribuem para uma vida mais ativa. Então, por que estamos nos movimentando tão pouco? Seria simples atribuir essa realidade à falta de vontade.
Entretanto, jornadas extensas de trabalho e estudo, crescimento do entretenimento digital e uso constante de celulares e computadores estão modificando profundamente nossa relação com o movimento. Hoje podemos trabalhar, estudar, comprar, conversar e nos divertir praticamente sem sair de casa. Entre os jovens, o desafio é ainda maior. Embora a tecnologia ofereça inúmeros benefícios, muitas atividades passaram a ser realizadas diante de uma tela, reduzindo as oportunidades naturais de movimento.
A pesquisa reforça, portanto, a necessidade de devolver o movimento ao cotidiano, com hábitos simples, como caminhar mais, interromper longos períodos sentados e buscar atividades prazerosas. Essa mudança não depende apenas do indivíduo, mas também de famílias, empresas, cidades e políticas públicas que favoreçam uma vida mais ativa.
Quando grande parte da população não alcança níveis mínimos de atividade física e passa cerca de 14 horas do dia praticamente sem se movimentar, estamos diante de um desafio social, cultural e de saúde pública. A pesquisa deixa uma reflexão necessária: se sabemos que o movimento é essencial para a saúde e o bem-estar, por que permanecer parado está cada vez mais fácil e se movimentar, cada vez mais difícil?
* Paloma Herzinger é formada em Educação Física, especialista em Educação Especial e Inclusiva e Formação Docente EAD e professora tutora dos cursos de pós-graduação na área da Educação da Uninter.
Autor: Paloma Herzinger*Créditos do Fotógrafo: Surprising_Media/Pixabay
