Radiação além dos mitos leva professora da Uninter ao reconhecimento nacional

Autor: Ketlyn Laurindo da Silva - Estagiária de Jornalismo

Professora Paola da Costa Rosa (à esquerda) recebe o título simbólico de embaixadora da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear.

A professora Paola da Costa Rosa, da Escola Superior de Saúde Única (ESSU) da Uninter, recebeu o título simbólico de embaixadora da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), em reconhecimento ao trabalho desenvolvido na divulgação de conhecimentos sobre radiações e tecnologias nucleares. A homenagem ocorreu durante a solenidade de celebração do primeiro ano de atuação da instituição e destaca a contribuição da docente para aproximar a ciência da população.

O interesse de Paola pela divulgação científica começou ainda na adolescência, quando cursava o ensino médio. Movida pela curiosidade e por notar a falta de conhecimento e os receios que cercavam o assunto, ela criou seu primeiro blog dedicado a compartilhar informações sobre radiação. “Percebia que existia uma grande lacuna de conhecimento sobre o assunto e muito estigma por parte das pessoas”, relembra. Anos depois, durante a pandemia de Covid-19, o período de isolamento permitiu que ela transformasse uma antiga ideia em realidade.

No dia 18 de janeiro de 2021 nasce o podcast RadOn, o projeto que surgiu com o objetivo de desmistificar questões relacionadas às radiações e tornar o conhecimento científico mais acessível ao público. A iniciativa busca não apenas compartilhar informações, mas incentivar o diálogo entre os profissionais de Radiologia e a sociedade.

Segundo Paola, esses profissionais desempenham um papel importante na compreensão das tecnologias radiológicas, especialmente por estarem em contato direto com pacientes durante a realização de exames. “Estamos falando de um profissional que estuda física, biologia, informática e tantas outras áreas do conhecimento para exercer sua função. Então, por que não utilizar toda essa bagagem para ajudar as pessoas a compreenderem melhor as tecnologias com as quais estão tendo contato”, destaca.

Fora dos ambientes de saúde, o interesse por assuntos relacionados à radiação tem sido impulsionado por produções audiovisuais. De acordo com Paola, a repercussão da minissérie sobre o acidente radiológico com o Césio-137, ocorrido em Goiânia, que além de trazer destaque ao seu trabalho de divulgação científica, também despertou a curiosidade de diferentes públicos, incluindo crianças, e ampliou a procura por conteúdos sobre Física e Radiologia.

Embora considere positiva a maior circulação desses temas, a professora alerta para os riscos da divulgação de informações sem a contextualização necessária. Por envolver conhecimentos técnicos e científicos, o assunto pode ser apresentado de maneira equivocada, favorecendo a disseminação de notícias falsas e conteúdos sensacionalistas, principalmente nas redes sociais. “Não basta fazer as pessoas falarem sobre radiação, precisamos ajudá-las a entender sobre o que estão falando”, ressalta.

Reconhecimento pela divulgação científica 

O trabalho desenvolvido por Paola possibilitou uma aproximação com a ANSN, ampliando o contato com especialistas e profissionais da área. Essa relação favorece a troca de conhecimentos e o aprofundamento dos conteúdos produzidos em seu projeto de divulgação científica.

A trajetória da professora recebeu ainda outro reconhecimento, desta vez da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), em 13 de outubro de 2026, evidenciando a contribuição de suas iniciativas para a disseminação de informações sobre radiações e tecnologias nucleares. “É muito gratificante perceber que um trabalho que começou lá atrás, de forma tão simples e por pura curiosidade, hoje é reconhecido justamente por uma instituição que atua diretamente na área”, destaca Paola.

Mesmo com os reconhecimentos, a professora ressalta que a divulgação científica exige responsabilidade, principalmente diante da velocidade com que as informações circulam nas plataformas digitais. Para Paola, é fundamental produzir conteúdo capazes de esclarecer dúvidas sem minimizar os riscos associados às radiações ou reforçar temores infundados. “Não basta simplesmente ocupar espaço nas redes sociais, precisamos produzir conteúdo bem fundamentados, contextualizados e acessíveis, capazes de esclarecer dúvidas sem minimizar riscos reais, mas também sem alimentar medos desproporcionais”, salienta.  

A docente reforça a importância de verificar a procedência das informações e consultar fontes confiáveis, especialmente diante da facilidade com que conteúdos distorcidos podem alcançar grande repercussão.

Para crianças e jovens que demonstram interesse pela ciência, Paola deixa um incentivo a curiosidade e a busca pelo conhecimento. “O conhecimento abre portas, cria oportunidades e permite que a gente faça a diferença, seja qual for o caminho que escolher seguir”, conclui.

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Autor: Ketlyn Laurindo da Silva - Estagiária de Jornalismo
Edição: Mauri König
Créditos do Fotógrafo: Arquivo pessoal


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