Dependências tecnológicas e os vício em jogos
Autor: Giseli Cipriano Rodacoski*
As bets começaram a operar em janeiro de 2025 e, antes de 2023, era proibido jogos de azar no Brasil, naquele ano a Lei 14.790 regulamentou apostas online. Agora, a indústria das bets já é o 5º maior mercado de apostas do mundo, com R$ 22 bilhões faturados em apenas um ano de atividade e já se soma 12% da população brasileira que faz aposta em bets, totalizando 25 milhões de apostadores ativos.
Os dados revelam que o vício em Bets é um problema de saúde pública e vício em jogos aumenta o risco para ideação suicida. A dependência tecnológica gera lucro, mas o capitalismo é moral? O que precisamos saber e fazer para manter a saúde mental em um sistema capitalismo que visa o lucro?
Não se pode esperar moralidade de um sistema, apenas de seres humanos. Um sistema é amoral. Do mesmo modo que não se pode culpar o aparelho de celular por distrair as crianças e prejudicar o aproveitamento escolar. A culpa não é do aparelho, pois ele não tem intencionalidade. Se desligamos uma televisão ela perde o poder de influência. Não se pode cobrar moralidade ou moderação do sistema capitalista. Só podemos implicar os sujeitos, as pessoas que operaram esses sistemas, como fornecedores ou consumidores.
O Ministério da Saúde oferece gratuitamente um curso (Fiocruz) para ampliar a habilidade dos profissionais para acolhimento de pessoas dependentes que buscam tratamento, mas acolhimento não é tratamento. O Ministério da Fazenda tem uma plataforma digital que permite solicitar voluntariamente o bloqueio do acesso às plataformas de apostas autorizadas pelo governo federal: Plataforma Centralizada de Autoexclusão Para solicitar a autoexclusão, é necessário acessar a página da ferramenta e entrar com a conta gov.br.
O passo a passo após a partir da solicitação no sistema é:
- Bloqueio, de uma só vez, das contas ativas nas plataformas autorizadas;
- Impedimento da abertura de novas contas com o CPF cadastrado; e
- interromper o envio de publicidade direcionada pelas empresas de apostas.
Na área das dependências tecnológicas existem alguns temas e termos específicos que são importantes saber, como: Gambling Disorder (Transtorno do jogo). Transtorno de jogo (TJ), também conhecido como jogo compulsivo ou vício em jogos de azar, é uma condição psiquiátrica na que as pessoas continuam jogando repetidamente mesmo diante de consequências negativas na vida pessoal, social e financeira.
Comportamento de risco: perda de controle sobre o impulso de jogar, aumento de quantias, jogar para recuperar perdas, mentir e ocultar o comportamento e o dinheiro comprometido com o jogo, irritabilidade e sensação de angústia, abandonar compromissos em função das apostas.
Transtorno do Jogo / Ludopatia: transtorno mental reconhecido pela Organização Mundial de Saúde que se caracteriza pelo desejo incontrolável e compulsivo de jogar, especialmente em jogos de azar e apostas.
Principais tipos de jogos e de jogadores: apostas esportivas, cassinos online, jogos de azar, jogos de cartas e competições por dinheiro que geralmente atraem jogadores ocasionais que jogam por diversão, mas também atraem jogadores compulsivos, mais comum entre homens entre 30 e 50 anos.
Recaídas e Craving em apostadores. O termo “craving” é traduzido como anseio, desejo ardente ou fissura e descreve uma vontade intensa e difícil de controlar por algo específico, como chocolate, doces, ou até mesmo experiências prazerosas.
É importante frisar que o transtorno pode afetar diferentes pessoas, mas são mais susceptíveis aquelas que já apresentam um perfil impulsivo de personalidade, histórico de ansiedade, depressão ou abuso de substâncias psicoativas, com fácil acesso aos meios: disponibilidade constante de aplicativos sem restrição de horários.
* Giseli Cipriano Rodacoski é psicóloga, psicanalista, doutora em Biotecnologia para a saúde da criança e do adolescente. Mestre em Educação. Especialista em Psicologia Hospitalar e da Saúde. Professora e coordenadora do curso de Psicologia na Uninter.
Créditos do Fotógrafo: Joédson Alves/Agência Brasil
