Seminário debate evasão na iniciação científica, IA e desafios da pesquisa acadêmica

A evasão de estudantes dos projetos de iniciação científica, a crescente utilização da inteligência artificial nas pesquisas, o rigor metodológico e a interdisciplinaridade foram alguns dos temas discutidos na edição “Fala Aluno” do Seminário de Pesquisadores Uninter, promovido pelo setor de Pesquisas e Publicações Acadêmicas da instituição. O objetivo do encontro foi incentivar o intercâmbio de conhecimentos e experiências entre estudantes, professores e pesquisadores de diversas áreas.

Mediado pela professora Desiré Luciane Dominschek Lima, coordenadora de Pesquisa e Publicações Acadêmicas, o encontro reuniu a professora Suzany Hellen da Silva Soczek, doutora em Biotecnologia e docente da Escola Superior de Saúde Única Uninter (ESSU), e a estudante Ana Luiza Rizzo Carli, aluna de Biologia na Uninter e bolsista de iniciação científica, para discutir os bastidores da pesquisa acadêmica e os desafios enfrentados por professores e estudantes na construção do conhecimento.

A professora Suzany iniciou o encontro apresentando a sua linha de pesquisa “Avanços Interdisciplinares em Biomedicina”. Dentro dessa linha, há três projetos de pesquisas: um relacionado às complicações pós-vacinação da COVID-19; outro voltado às inovações na área da estética; e um projeto de estudo experimental que investiga biomarcadores associados à síndrome metabólica. Dentro desses três projetos, a professora ressalta a importância de integrar diferentes áreas de estudo, fortalecendo a interdisciplinaridade para responder às diversas questões.

“A gente precisa de técnicos, de médicos, de engenheiros biomédicos, digamos assim, para auxiliar nos equipamentos, de estatísticos para fazer os dados. Então essa interdisciplinaridade na saúde, ela precisa ser cada vez mais, no meu ponto de vista, cada vez mais batida, cada vez mais incentivada”, afirma.

Essa construção coletiva da pesquisa também passa pela participação dos estudantes. Em uma instituição como a Uninter, presente em diferentes regiões do país, um dos desafios é criar oportunidades para que alunos de diferentes localidades consigam participar dos projetos. Por mais que uma pesquisa experimental exija envolvimento direto e uma rotina de trabalho bastante rigorosa, toda pesquisa possui também um lado teórico, que deve ser incentivado em todas as regiões.

A experiência da estudante Ana Luiza ajuda a compreender a complexidade da pesquisa teórica. Integrante do projeto voltado ao estudo das alterações pós-vacinação da COVID-19, a pesquisadora explicou que produzir conhecimento científico exige muito mais do que interesse pelo tema. O trabalho envolve leitura crítica, análise de uma grande quantidade de dados, validação de informações e o cumprimento de protocolos que garantam a confiabilidade dos resultados.

“A gente precisa filtrar essa informação em modo duplo cego, com mais de um revisor ao mesmo tempo. A gente precisa verificar erros. Então, é um projeto que também demanda muito tempo e muita mão de obra”, relata.

Essa exigência ajuda a explicar outro desafio bastante presente nos grupos de pesquisa: a permanência dos estudantes nos projetos de iniciação científica. A conciliação entre trabalho, graduação, estágio e pesquisa faz com que muitos participantes encontrem dificuldades para acompanhar o ritmo das atividades. Segundo as pesquisadoras, essa é uma realidade presente não apenas na Uninter, mas em diversas instituições de ensino superior e afeta tantos alunos quanto professores.

Ana Luiza relata que seu interesse pelo tema da pesquisa surgiu a partir de experiências pessoais relacionadas à saúde. A pesquisa passou a ser não apenas uma atividade acadêmica, mas uma forma de compreender questões que faziam parte da sua própria realidade. Para ela, a iniciação científica ampliou sua visão sobre a produção do conhecimento e mudou sua relação com a universidade. Isso lhe deu ainda mais motivação para continuar seu projeto, mesmo vendo muitos colegas deixarem o grupo de pesquisa.

Diante de um trabalho que exige análise constante e grandes volumes de informação, ferramentas de inteligência artificial também passaram a ocupar espaço nas discussões sobre pesquisa científica. Longe de substituir pesquisadores, as participantes do XV Seminário de Pesquisadores Uninter defenderam o uso dessas ferramentas como apoio em atividades operacionais, para facilitar a organização dos dados. “Eu gosto muito de IA porque vejo ela como uma facilitadora de processos. Porém, ainda a última olhada, o martelo quem bate somos nós, são as pessoas, são os pesquisadores”, afirma a professora Suzany.

Todo conhecimento científico é construído por pessoas, exige colaboração de diversos profissionais, rigor metodológico e capacidade de adaptação diante dos desafios. Mais do que formar pesquisadores, esse processo também contribui para formar profissionais críticos, capazes de produzir conhecimento e compreender de forma mais profunda os problemas da sociedade. Assim, o conhecimento produzido é capaz de mudar a realidade pessoal e comunitária.

O evento completo, com a participação da professora Suzany e da estudante Ana Luiza, pode ser acompanhado através do link: https://www.youtube.com/watch?v=9NRaGUOOZjY&t=3764s

Incorporar HTML não disponível.


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *