Canetas emagrecedoras falsas acendem alerta para golpes on-line
Autor: Ana Paula Garcia Fernandes dos Santos*
A popularização das chamadas canetas emagrecedoras trouxe uma nova preocupação para consumidores, profissionais de saúde e autoridades sanitárias. Além das discussões sobre indicação, acompanhamento e efeitos adversos, cresce também o risco de golpes envolvendo a venda de produtos falsificados ou irregulares pela internet. Com a alta procura, criminosos passaram a explorar anúncios em redes sociais, sites falsos e mensagens diretas para vender produtos sem garantia de origem e sem controle de qualidade.
As canetas emagrecedoras ficaram conhecidas principalmente por medicamentos injetáveis da classe dos agonistas do receptor de GLP-1, como semaglutida, liraglutida e tirzepatida. Esses medicamentos atuam em mecanismos relacionados ao controle glicêmico, à saciedade e ao esvaziamento gástrico, podendo ser indicados em situações específicas, sempre com avaliação profissional. A grande visibilidade desses tratamentos, impulsionada por resultados clínicos, exposição nas redes sociais e relatos de perda de peso, fez crescer também a busca por acesso rápido e preços mais baixos. É justamente nesse espaço que os golpes costumam aparecer.
A venda irregular não se apresenta, necessariamente, com aparência suspeita. Muitas páginas usam imagens de embalagens conhecidas, linguagem parecida com a de farmácias, promessas de entrega rápida, descontos agressivos e até nomes de órgãos oficiais para parecerem confiáveis. No Brasil, a Anvisa chamou atenção para esse tipo de golpe. Em alerta publicado em julho de 2026, a Agência informou que criminosos têm criado páginas que misturam o nome da Anvisa com a comercialização de canetas emagrecedoras para tentar dar credibilidade aos anúncios. A Agência reforçou que não vende medicamentos, não intermedeia compras e orienta que publicações suspeitas sejam denunciadas na plataforma.
Há, ainda, que considerar que o problema não é apenas financeiro. Comprar uma caneta emagrecedora por anúncio de rede social, site desconhecido, WhatsApp ou vendedor informal pode significar receber um produto falsificado, adulterado, mal armazenado, com dose diferente da informada ou sem o princípio ativo prometido.
Um estudo publicado em 2024 no JAMA Network Open avaliou compras de semaglutida sem prescrição em farmácias on-line ilegais. Os pesquisadores identificaram centenas de links relacionados à venda do produto e encontraram operações classificadas como ilegais. Nas amostras recebidas, os produtos apresentaram discrepâncias na rotulagem, evidências de falta de registro ou licença e problemas de qualidade. A análise laboratorial mostrou presença de semaglutida, mas com pureza muito abaixo da anunciada e quantidade de princípio ativo superior à descrita no rótulo.
É importante ressalta que, mesmo quando o medicamento é verdadeiro, o uso sem acompanhamento pode trazer riscos. Náuseas, vômitos, diarreia, constipação e desconfortos gastrointestinais estão entre os efeitos adversos conhecidos dessa classe de medicamentos. A indicação deve considerar histórico de saúde, objetivo do tratamento, contraindicações, dose adequada e acompanhamento da resposta clínica. Quando o produto é falsificado ou comprado fora de canais seguros, esses riscos se somam à incerteza sobre o que está sendo aplicado no corpo.
A orientação de autoridades sanitárias é evitar compras por canais informais e desconfiar de qualquer venda que dispense avaliação profissional. Medicamentos injetáveis para obesidade e diabetes não devem ser comprados como se fossem produtos comuns de internet. A compra segura depende de prescrição, estabelecimento autorizado, procedência conhecida e orientação adequada. Também é importante observar sinais de fraude, como páginas recém-criadas, ausência de identificação da empresa, pagamento para pessoa física, uso indevido de logotipos oficiais, erros na embalagem, informações inconsistentes e preços muito abaixo do habitual.
Em meio a tantas promessas, a atitude mais segura continua sendo a mais simples. Devemos desconfiar de ofertas fáceis, procurar orientação profissional e comprar medicamentos apenas por canais regulares.
*Ana Paula Garcia Fernandes dos Santos é Nutricionista, Mestre em Alimentação e Nutrição e Professora da Escola Superior de Saúde da Uninter.
Autor: Ana Paula Garcia Fernandes dos Santos*Créditos do Fotógrafo: Pexels
