Do Nordeste ao Sul, estudante atravessa o país para defesa de mestrado
Autor: Renata Cristina - Assistente de comunicação
Quilômetros de distância separavam Antonio Gilson Mendes de Souza de realizar um sonho: a defesa de sua dissertação de mestrado. Essa foi a última parte de uma jornada que teve início na prática docente, dentro de salas de aula. O mestrando saiu do Maranhão com destino à Curitiba, no dia 25 de maio de 2026, para apresentar a pesquisa intitulada “A sala de recurso multifuncional como espaço formativo na cibercultura e suas contribuições para a formação continuada de professores do ensino regular”.
Foi durante a experiência docente na cidade de Santa Inês, no interior do Maranhão, que Antonio identificou o que queria pesquisar, e os primeiros passos foram dados. “Percebendo as relações pedagógicas que aconteciam ali dentro da sala de aula e a interação dos professores com o atendimento aos alunos é que surgiu nosso problema de pesquisa”, relembra o mestrando. “Eu trago hoje para a universidade também essa perspectiva já em contribuir na formação dos professores”, afirma.
A pesquisa teve como foco o papel das salas de recursos multifuncional na formação continuada dos docentes da educação básica, especialmente no cenário de inclusão escolar.
A orientadora da pesquisa, professora Glaucia da Silva Brito, ressalta que, embora a inclusão seja garantida por lei, ainda enfrenta dificuldade na implementação. Entre os obstáculos, está a ausência de capacitação adequada de professores. “Quando a gente fala de salas de recursos multifuncional, está falando de inclusão nas escolas, e isso é lei da inclusão da escola, principalmente na educação básica. Mas os professores geralmente não tem formação para isso, então os professores se sentem muito abandonados”, explica.
Para Glaucia, a principal contribuição da dissertação é demonstrar que a própria escola pode assumir esse papel de formação. “O que o Antonio defendeu na dissertação é que a própria escola, na sala de recurso multifuncional, deve fazer a formação desse professor da sala de aula. O que acontece é que muitas vezes os recursos federais ou municipais vão para instituições privadas para realizar esse trabalho. O Antonio mostra que sala de recurso multifuncional dentro de uma escola, bem-organizado e bem estruturado é um núcleo de formação para os professores”, salienta.
Diversidade cultural
Além da apresentação do trabalho, a banca de defesa também foi importante no processo de troca de conhecimento entre pesquisadores de diferentes regiões do país.
O professor examinador André Cavazzani explica que o processo vai além da avaliação acadêmica. “Eu tive a oportunidade de fazer uma leitura crítica dessa versão preliminar, indicando eventuais ajustes que ele podia fazer. Antes do trabalho, os professores avaliam esse trabalho e escutam o aluno, trazendo suas opções “porque ele fez isso, porque ele fez aquilo, ou não fez aquilo”, conta.
Cavazzani acredita que as conexões geradas através do mestrado, une um país de dimensões continentais. “Então isso é muito legal, primeiro porque há uma é uma troca intercultural em que nós aprendemos tanto quanto eles a diversidade linda e fantástica desse nosso Brasil. Os problemas, o que é semelhante, o que é particular em cada lugar”, acrescenta.
Para a trajetória de Antonio, a conclusão do mestrado vai além do título. A pesquisa demonstra como a educação tem o poder de superar barreiras geográficas e transformar experiências em conhecimento capaz de impactar a realidade das escolas, transformando distâncias e encurtando sonhos.
Autor: Renata Cristina - Assistente de comunicação
Edição: Larissa Drabeski
Créditos do Fotógrafo: Arquivo pessoal




