Tecnologia e distração: o desafio de manter o hábito da leitura na era digital

Autor: Guilherme Augusto*

 

A tecnologia proporciona às pessoas acesso à informação e a inúmeros conteúdos, como notícias em tempo real, plataformas de streaming, entre tantos recursos que agregam conhecimento a todos. Contudo, as distrações e as constantes buscas por estímulos imediatos, provocadas pelas redes sociais, têm transformado essa ótima ferramenta em um instrumento que dificulta o cultivo do conhecimento e da cultura por meio da leitura.

Por mais que a tecnologia ofereça uma grande variedade de informações, a leitura ainda é uma prática indispensável. Ela é um exercício que proporciona prazer e erudição, além de contribuir para o desenvolvimento intelectual. De acordo com a neurocientista cognitiva Maryanne Wolf, pesquisadora reconhecida pelos estudos sobre leitura e funcionamento do cérebro, essa atividade cria circuitos no cérebro humano. Logo, cultivar esse importante hábito é uma prática que permite ao ser humano crescer em conhecimento e cultura, melhorando o pensamento e a reflexão.

A pesquisa Retratos da leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro em 2025, aponta que 53% dos entrevistados não leram ao menos parte de um livro nos três meses anteriores ao levantamento. A falta de tempo, as redes sociais e o pouco incentivo familiar foram as principais justificativas apresentadas para a ausência do hábito da leitura.

Atualmente, muitas pessoas leem mensagens e conteúdos digitais com frequência, contudo, nem sempre esses materiais são relevantes ou enriquecedores. O excesso de tecnologia tem prejudicado a leitura de bons livros, artigos, periódicos e noticiários confiáveis, o que pode levar à superficialidade do conhecimento.

A leitura é uma forma eficaz de exercitar a mente e adquirir cultura e conhecimento. Por isso, cultivar esse hábito e estabelecer limites para o uso das redes sociais é indispensável. Uma ótima estratégia é definir um tempo para a leitura, criando uma rotina que ajude na concentração e na consolidação dessa prática.

Entenda que, mesmo pouco, aquilo que é feito com qualidade e dedicação se torna muito mais produtivo. Por isso, foque na qualidade da leitura, sem esquecer que o ser humano pode ser um multitarefa, mas não um multifoco, Dessa forma, estabeleça limites para distrações e se dedique ao momento de leitura de maneira intencional.

Ler é a arte de aprender, é lendo que alguém viaja para outros universos e tem contato com autores do passado, que deixaram sua contribuição para a humanidade. Por isso que este hábito é indispensável, sendo um exercício para manter o cérebro ativo e em constante aprendizado.

Em vista disso, aprender a estabelecer limites e construir um tempo dedicado à construção do conhecimento é fundamental para o desenvolvimento intelectual. E eu garanto que o seu cérebro vai agradecer esse investimento em conhecimento.

Guilherme Augusto é Professor regente mestre da Uninter, atua na área de Geociências, vinculado à Escola Superior de Educação, Humanidades e Línguas (ESEHL). 

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Autor: Guilherme Augusto*
Créditos do Fotógrafo: Rawpixel/Pixabay


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