Experimento de estudantes de Curitiba é realizado na Estação Espacial Internacional

Autor: Tiago Felipe Polonha - Estagiário de Jornalismo

Experimento dos alunos de Curitiba sendo colocado em prática na Estação Espacial Internacional.

O primeiro passo para fazer ciência é a dúvida e a curiosidade. Foram elas que motivaram alunos do 4º e 5º anos da Escola Municipal Jaguariaíva e da UEII Curitiba 330 Anos a desenvolver um experimento que chegou à Estação Espacial Internacional (ISS). Idealizado sob orientação da professora Vanessa Simões da Silva Oliveira, o projeto foi realizado em microgravidade durante a missão Axiom-4, em 2025, pela astronauta Peggy Whitson.

A experiência consistia em analisar o comportamento de dois corpos com massas diferentes durante colisões em ambiente de microgravidade. O projeto foi o vencedor entre dez propostas brasileiras selecionadas para o Limitless Global Educator Program, iniciativa internacional do Limitless Space Institute, com apoio da IHS Towers e parceria dgência Espacial Brasileira (AEB).

Para transformar a ideia em um experimento cientificamente viável, os estudantes também contaram com o apoio da Uninter, que ofereceu suporte técnico-acadêmico do professor Daniel Tedesco, da Escola Superior de Educação, Humanidades e Línguas (ESEHL). Os alunos envolvidos na pesquisa visitaram os laboratórios da Uninter, no campus Divina Providência, onde puderam experimentar na prática a proposta enviada ao espaço.

“As crianças normalmente encontram a ciência pronta no livro, mas, nesse caso, elas participaram da pergunta, fizeram o experimento aqui e depois viram essa mesma ideia chegar ao espaço. Isso muda bastante a percepção do que é fazer ciência e mostra que uma pergunta feita numa escola de Curitiba pode ir muito longe. Literalmente”, relata o professor Daniel Tedesco.

A parceria com a Uninter não surgiu especificamente para o projeto. A universidade já desenvolvia ações de formação de professores e atividades científicas em conjunto com a Secretaria Municipal da Educação de Curitiba e a Fundação Wilson Picler. “Foi muito legal ver um projeto desenvolvido por estudantes de uma escola pública de Curitiba chegar à Estação Espacial Internacional. A participação da Uninter foi principalmente na formação e nessa aproximação entre universidade e escola, além do suporte técnico-acadêmico”, explica Daniel.

O caminho até a ISS começou no final de 2023, quando Vanessa se inscreveu de forma independente para a seleção de dez professores brasileiros que participariam de um curso de formação voltado à educação básica. “Em janeiro de 2024, fui uma das dez professoras selecionadas, a única do Sul do Brasil e a única a trabalhar exclusivamente com estudantes dos anos iniciais, 1° ao 5° ano”, relata a professora.

Ao longo do curso, os professores tiveram encontros online com diversas personalidades entre astronautas, engenheiros e pesquisadores da área espacial, e ali foi proposto elaborar uma experiência para ser realizada na Estação Espacial Internacional. Reunindo uma média de 90 alunos, a professora Vanessa criou o “Capybara Team”, para partilhar ideias e avaliar coletivamente qual experiência se encaixava nos critérios reais da proposta.

“Foi um momento riquíssimo. Como as crianças dessa faixa etária estão em plena descoberta do mundo, surgiram ideias mirabolantes e geniais, desde fazer manobras de skate em gravidade zero até criar explosões com glitter! Em vez de descartar o que parecia impossível, acolhemos tudo e avaliamos coletivamente o que se encaixava nos critérios e limites reais”, relata a professora.

Tendo definido que o projeto da turma investigaria a colisão entre duas bolas de massas diferentes, chegou o momento de apresentá-lo. Os alunos gravaram um vídeo de cinco minutos que Vanessa levou até Houston, no Texas, para defender a ideia diante da banca avaliadora. Entre os projetos apresentados, esse foi selecionado para ser realizado na ISS.

Após a seleção, a equipe passou a estudar os detalhes do experimento e preparou as orientações que seriam utilizadas pelos astronautas durante a missão. Em julho de 2025, a equipe da Axiom-4 realizou a atividade em órbita. O vídeo do experimento foi publicado nas redes sociais da professora no último dia 24 de agosto.

O professor Daniel Tedesco lembra que esse experimento vai muito além do vídeo nas redes. “Do ponto de vista pedagógico, não é apenas ver um vídeo bonitinho feito no espaço. O legal agora é voltar para aquilo que foi feito em sala: o que nós previmos? O que aconteceu aqui na Terra? O que mudou em microgravidade? Por quê? É aí que o experimento se transforma novamente em aula. Para a piazada, conceitos que poderiam parecer muito abstratos ganham uma dimensão concreta. Para os professores, mostra a força de trabalhar Física e Astronomia de maneira investigativa, começando por perguntas e experimentos, e não apenas pela apresentação de fórmulas e respostas prontas”, avalia o professor.

A professora Vanessa também ressalta que esse vídeo não é um encerramento nem o fim do ciclo. Mesmo que parte dos alunos que idealizaram o experimento já tenha seguido para outras etapas da trajetória escolar, o projeto continua gerando novos aprendizados.

“Como em toda pesquisa científica real, abri frentes para que os alunos mais novos pudessem dar continuidade ao projeto. Essa é outra grande potencialidade de todo esse trabalho. Além da rica vivência de desenhar um experimento, comunicar e defender suas hipóteses, testar e divulgar os resultados, as crianças compreendem na prática que a ciência é viva: ela não acontece da noite para o dia. Ela exige tempo, dedicação e recursos para ser construída”, conclui Vanessa.

Mais do que enviar uma experiência ao espaço, a iniciativa mostrou às crianças que a ciência é construída por pessoas comuns, a partir de perguntas simples, curiosidade e investigação. Todo o processo da experiência pode ser encontrado nas redes sociais da professora Vanessa e o vídeo da Estação Espacial pode ser acompanhado nesse link: https://www.instagram.com/p/DcbxJiGJNK5/

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Autor: Tiago Felipe Polonha - Estagiário de Jornalismo
Edição: Mauri König
Créditos do Fotógrafo: Estação Espacial Internacional


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