Projeto de Biorrefinaria da Fundação Wilson Picler é aprovado em programa de inovação aberta
Autor: Yasmin Guedes – Assistente de Comunicação
O Projeto de Biorrefinaria da Fundação Wilson Picler acaba de ser selecionado para o ORBI, um programa de inovação aberta conduzido pelo Sapiens Parque em parceria com o Centro de Inovação, Pesquisa, Empreendedorismo e Tecnologia da Universidade Federal de Santa Catarina (InPETU hub) e a MOA Ventures. A iniciativa conecta grandes empresas a centros de pesquisa e startups para solucionar desafios nas áreas de Óleo e Gás, Energia e Mobilidade.
Programas de inovação aberta funcionam como pontes entre organizações e o ecossistema externo de conhecimento. Empresas ou instituições públicas mapeiam desafios reais de seus negócios ou do mercado e lançam editais para atrair potenciais solucionadores, como universidades, laboratórios e novos empreendedores. Os selecionados testam e codesenvolvem as soluções. Dependendo dos resultados, o processo pode evoluir para contratos de fornecimento, parcerias comerciais ou até mesmo sociedades.
A vaga conquistada pela fundação coloca o projeto em um ambiente onde o conhecimento gerado nos laboratórios pode encontrar aplicação prática no mercado. Para o professor Marcos Baroncini Proença, coordenador do projeto, esse é um momento significativo.
“A oportunidade de participar representa um passo importante na consolidação da pesquisa voltada à sustentabilidade e à economia circular que desenvolvemos”, afirma. “A participação neste programa significa posicionar não só o laboratório, mas toda a Fundação como um instituto de desenvolvimento qualificado em um dos mais relevantes ambientes de inovação do Brasil.”
Mas o que torna esse projeto especial? A resposta está na forma como ele transforma resíduos em recursos.
A pesquisa desenvolve uma biorrefinaria modular, uma espécie de usina compacta que converte resíduos agropecuários e urbanos em produtos úteis. Com tecnologia de baixo custo e baseada em economia circular, o processo utiliza estabilização da matéria orgânica, biodigestão controlada por inteligência artificial e oxidação avançada.
Uma biorrefinaria funciona de maneira análoga a uma refinaria de petróleo, mas com uma diferença fundamental: em vez de combustíveis fósseis, ela trabalha com biomassa, ou seja, matéria orgânica de origem vegetal ou animal. Na prática, essa instalação industrial transforma restos de plantas, óleos e outros recursos renováveis em energia e em uma variedade de bioprodutos. Dali saem biocombustíveis como etanol, biodiesel e até querosene sustentável para aviação, além de biofertilizantes e produtos químicos para a indústria. O grande objetivo é aproveitar ao máximo cada fração da matéria-prima, gerando o mínimo de resíduos e contribuindo para a sustentabilidade.
O resultado previsto para o projeto da Fundação inclui insumos seguros para ração animal, fertilizante orgânico, biogás e energia elétrica. Também está no horizonte a produção de hidrogênio verde, um combustível limpo obtido a partir de fontes renováveis como solar e eólica, considerado peça-chave para a descarbonização da economia.
Por trás dessa inovação está o professor Marcos Baroncini Proença. Engenheiro químico, com mestrado e doutorado em outras áreas da engenharia. Mas o trabalho não é solitário. Ele acontece em união, por meio da Rede Cooperativa de Estabilização de Matéria Orgânica e Geração de Biogás (RECOOP EMOB), que reúne instituições brasileiras como UNINTER, IFSC, UFPR e UTFPR, além de parceiros internacionais de Portugal, Argentina e Uruguai.
A Fundação Wilson Picler, que abriga o laboratório, é uma entidade sem fins lucrativos sediada em Curitiba. Sua missão vai além da pesquisa: promove programas sociais, culturais e ambientais, além de atuar na educação em todos os níveis. Participar do ORBI, portanto, está em sintonia com seu propósito de gerar impacto concreto na sociedade.
O projeto também está alinhado a políticas públicas como o Programa Nacional de Bioinsumos e o Paraná mais Orgânico.
Agora, com o ORBI, a expectativa é dar um salto de escala. O programa, que dura sete meses, oferece mentoria especializada e aproximação com grandes corporações. O coordenador vislumbra um futuro promissor: “Isso permitirá buscar ampliar oportunidades de parcerias estratégicas para viabilizar a expansão da escala de nossos desenvolvimentos para a escala piloto e, no futuro, de grande porte.”
Mais do que uma aprovação, a vaga no ORBI é uma chance de a ciência dialogar com o mercado. E, com ela, a Fundação Wilson Picler mostra que pesquisa sustentável pode se traduzir em soluções reais, prontas para serem aplicadas em larga escala.
Autor: Yasmin Guedes – Assistente de ComunicaçãoEdição: Larissa Drabeski
Créditos do Fotógrafo: Acervo Fundação Wilson Picler






