Culpado ou inocente? Júri simulado coloca estudantes de Direito diante da prática jurídica

Autor: Madson Lopes - assistente de comunicação

Enquanto voltava para casa, um homem foi baleado por um policial militar. Em sua defesa, o agente disse que o tiro que atingiu o transeunte foi disparado, na verdade, contra dois indivíduos potencialmente suspeitos que vinham em sua direção numa moto. O caso é fictício, mas, se tivesse ocorrido de fato, qual condenação poderia recair sobre o militar? 

Esta foi a situação apresentada e debatida durante o Júri Simulado realizado entre os alunos do curso de Direito da Uninter, no dia 6 de junho, no Campus Batel, em Curitiba (PR). Comum à área, a atividade transforma a teoria vista em sala de aula em prática e contribui para o desenvolvimento da competência técnica, da oratória, do raciocínio lógico e da postura profissional dos alunos, preparando-os para a pressão de um julgamento. 

No dia 08 de agosto, esses estudantes participarão da 3ª Data Júri da Liga Paranaense do Júri, maior competição acadêmica de júri simulado do Paraná, organizada pela instituição Curso Jurídico. A equipe enfrentará a Gran Faculdade, em debate realizado na UniSantaCruz, a partir das 8h. Na mesma data, a Uninter sediará a disputa entre a Panamericana e a UniSantaCruz, no Campus Batel, também a partir das 8h. Interessados poderão acompanhar os debates e participar da composição da bancada de jurados. 

Durante o júri do dia 06, os alunos foram divididos em dois grupos: um para compor a defesa do réu e o outro para ocupar a função do Ministério Público, que, no Tribunal do Júri, é o órgão responsável pela acusação. Além dos estudantes, participaram convidados da comunidade externa para compor o quadro de jurados, que decidem se o réu é culpado ou inocente. 

Acadêmica do sexto período, Heloiza Ribeiro já havia participado da simulação no ano passado, mas apenas como ouvinte. Selecionada para esta edição, ela disse que aproveitou o momento para melhorar tanto o raciocínio jurídico quanto as estratégias de defesa. “Essa experiência do júri é muito única porque ela traz tanto a teoria e a parte técnica que nós aprendemos no curso, mas para realmente colocar em prática algo que os operadores do direito mais à frente vão viver”, disse a estudante, que já se prepara para as próximas edições. 

Aberto ao público externo, o evento contou com a participação de profissionais de diversas áreas, o que, segundo o professor Bryan Bueno Lechenakoski, enriquece ainda mais a simulação. “Se o Direito atinge não somente os acadêmicos, não somente os profissionais ligados à área, mas toda a sociedade, essa participação de fora traz um crescimento pessoal, um crescimento para toda a sociedade”, disse. 

Bueno destacou ainda a relevância da iniciativa para capacitar os estudantes para a Liga Paranaense do Júri. Na competição, os alunos da Uninter enfrentam estudantes de várias instituições de ensino superior em debates de casos reais. “Nós temos avançado cada vez mais nessa competição, capacitando nossos alunos, inclusive para o curso lá fora, para a sua advocacia, para serem futuros membros do Ministério Público”, destacou. 

Para participar do júri simulado, os estudantes são selecionados mediante processo seletivo, no qual são avaliados pelos professores em uma entrevista em que é apresentado um caso real para ser analisado. Ali, os docentes avaliam tanto a oratória quanto a competência técnica do candidato. 

A coordenadora do bacharelado em Direito da Uninter, Tiemi Saito, explica que essa atividade é mais comum entre os alunos que estão concluindo a graduação (8º e 9º períodos), mas, desde o ano passado, estenderam a iniciativa aos estudantes dos anos iniciais, o que, segundo ela, “tem sido muito produtivo porque eles vêm mais ávidos em participar e conhecer”. 

“Então a gente libera uma parte do conteúdo EAD para que eles tenham noção das teorias do crime, dos crimes dolosos contra a vida que são de competência do Tribunal do Júri, e já venham também atuando com os alunos concluintes na prática do júri. Então eles aprendem tanto a teoria do crime quanto o processo penal já atuando e desenvolvendo suas habilidades”, destacou a professora. 

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Autor: Madson Lopes - assistente de comunicação
Edição: Larissa Drabeski
Créditos do Fotógrafo: Ketlyn Laurindo da Silva e Kauã de Freitas


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