Inverno chegou e os cuidados em casa podem evitar doenças
Autor: * Benisio Ferreira da Silva Filho
O inverno de 2026 no Brasil chegou com características que preocupam especialistas em saúde pública. As regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste registram temperaturas abaixo da média histórica, com ondas de frio intenso, garoa persistente e alta umidade relativa do ar em ambientes fechados. Esse cenário favorece a proliferação de vírus e bactérias, aumentando os casos de gripe, resfriados, bronquite e outras infecções respiratórias. Nesse sentido, pensando nos vírus que estão circulando a principal e melhor forma de prevenção sem dúvidas é a vacinação.
Quando se trata de casa, esse período do ano faz com que o frio ou as chuvas (nas regiões em que no inverno o volume de chuvas aumenta) façam as pessoas ficarem mais em casa, com tudo fechado e aí o cuidado com essa situação deve ter atenção. Em casa, a diminuição da circulação de ar e as áreas mais úmidas merecem atenção.
O banheiro, por exemplo, merece atenção. Durante o frio, esse ambiente fica mais tempo com as janelas fechadas, o que reduz a ventilação e aumenta a umidade, criando um ambiente perfeito para a multiplicação de fungos, mofo e bactérias. Neste local, as cerdas da escova acumulam resíduos de saliva, pasta de dente e micropartículas orgânicas que, em ambiente úmido e sem luz solar direta, favorecem o crescimento de microorganismos. Por isso, o ideal é sempre manter a escova em porta-escovas individuais, sem capinhas, para ventilar, além disso, após o uso é necessário higienizar e se possível borrifar um pouco de enxaguante bucal nas cerdas da escova ao deixar descansando. Um detalhe bem importante também, é manter a escova sempre longe da privada, já que o acionamento da descarga pode projetar micropartículas fecais em até 1,5 metro de distância. Vale lembrar que trocá-la a cada dois meses ou quando o indicador visual da escova mostrar que deve ser trocada. Outra recomendação é não entrar com os calçados que vieram de fora da casa, portanto se você sai de casa com um calçado, quando retornar não entre com este calçado no banheiro pois a carga de microorganismos será muito alta e a umidade, com a diminuição de ventilação e diminuição de luz irá favorecer e muito essa grande quantidade de bactérias e fungos.
Outra área úmida que merece atenção dobrada no inverno é a cozinha. As esponjas de limpeza da pia representam um grande foco de contaminação: elas devem ser trocadas semanalmente ou desinfetadas diariamente em solução de água e vinagre, pois a umidade constante favorece o crescimento de bactérias, aumentando o risco de intoxicações alimentares. Não só isso, bactérias e fungos terão os restos de alimentos a disposição para que eles cresçam muito rápido. A geladeira também merece atenção com a sua limpeza.
Durante o inverno, a limpeza da casa exige uma atenção redobrada, porque as pessoas tendem a manter portas e janelas fechadas para se proteger do frio. Esse hábito, embora compreensível, compromete a circulação do ar e favorece o acúmulo de ácaros, fungos, mofo e poeira nos ambientes internos.
A casa exige atenção um maior cuidado no inverno: aspirar tapetes e cortinas com frequência, usar desumidificadores quando possível e evitar o acúmulo de umidade em cantos e armários, pois isso reduz o risco de mofo que compromete a qualidade do ar e a saúde respiratória. O mofo é um inimigo silencioso que cresce nas paredes, nos rejuntes dos banheiros, nos cantos dos quartos e até atrás de móveis encostados na parede durante o inverno. Ele é produzido por fungos como Aspergillus, Cladosporium e Penicillium, que liberam esporos no ar e podem causar desde irritações nasais e tosse seca até infecções pulmonares graves em pessoas imunocomprometidas.
Para combater o mofo, recomenda-se usar desumidificadores de ambiente, aplicar produtos antifúngicos nas paredes afetadas, utilizar tinta antimofo em reformas e nunca secar roupas molhadas dentro de casa sem ventilação adequada, uma prática muito comum no inverno que eleva drasticamente a umidade interna e acelera o crescimento fúngico nos ambientes.
Em resumo, o inverno exige dos brasileiros uma postura mais ativa e consciente em relação à saúde doméstica e pessoal. Os riscos não estão apenas nas ruas ou nos hospitais, eles habitam o cotidiano doméstico até nas esponjas da pia. Por isso, vale ventilar a casa diariamente, trocar esponjas semanalmente, hidratar a pele e as mucosas, vacinar-se contra a gripe, cuidar da saúde mental e manter a higiene dos utensílios de uso pessoal. Essas são atitudes que custam pouco e protegem muito.
*Benisio Ferreira da Silva Filho – Biomédico, mestre em ciências da Saúde, Doutor em Biotecnologia e Doutor em biologia Celular e molecular.
Autor: * Benisio Ferreira da Silva FilhoCréditos do Fotógrafo: Pexels


