Como funciona a engrenagem dos periódicos científicos, do parecer à publicação

Autor: Tiago Polonha - Estagiário de jornalismo

Uma pesquisa científica precisa ser divulgada, para que o conhecimento seja transmitido a toda a sociedade. Por isso os periódicos científicos ganham grande relevância junto à pesquisa científica, pois é por meio deles que todo o trabalho de pesquisa atinge seu objetivo. Porém, publicar um artigo não é algo muito simples: existem organizações, critérios e padrões que precisam ser seguidos e é importante conhecer esses critérios para ter uma publicação aprovada.

Um periódico científico sempre seguirá um processo editorial, que conta com uma equipe de suporte que dará a chancela para a publicação do artigo. Essa equipe é formada por voluntários, por professores que estão dentro desse universo de pesquisas e que têm interesse em divulgar esses estudos. É como uma rede de apoio de pesquisadores, e é essa rede que dá a qualidade ao periódico.

Ao submeter um artigo para uma revista científica, existe certa burocracia necessária para garantir a integridade do material: passa por um parecerista, pelo editor, retorna para o autor fazer correções necessárias, depois novamente pelo revisor para enfim ser publicada. E todo esse trabalho é feito por voluntários.

Entretanto, não é possível que seja qualquer voluntário. É necessário que seja uma pessoa experiente na área, que tenha atuado em pesquisas científicas e tenha também artigos publicados. Muitos artigos são negados ou precisam ser revistos antes de serem publicados, mas isso também é uma oportunidade ao pesquisador, pois ele tem uma devolutiva e uma oportunidade de aprimorar seu trabalho.

O editor científico também atua como um mediador que faz a devolutiva aos pesquisadores, detalhando o que pode ser melhorado em um artigo. Por isso, o VIII Encontro de Periódicos Uninter trouxe como tema a vida do editor científico e contou com os palestrantes Guilherme Gonçalves de Carvalho, membro do comitê editorial de periódicos nas áreas de jornalismo, comunicação e sociologia, e a Larissa Adryellen Drabeski, editora da revista RUC (Revista Uninter de Comunicação), com a mediação da coordenadora de Pesquisa e Publicações Acadêmicas da Uninter, Desiré Luciane Dominschek Lima.

Segundo os professores, todo o empenho dessa rede de apoio é um trabalho altruísta, pois, além de toda atividade acadêmica, os professores uninversitários também atuam como pesquisadores e são eles que fazem as tarefas fundamentais de parecerista e revisores para que as pesquisas ganhem visibilidade e sejam reconhecidas.

Não existe uma formação específica para ser editor. É na prática que se vai aprendendo. Por isso, a professora Larissa lembra do início de seu trabalho como editora, do auxílio que teve de outros editores e afirma que na revista RUC os alunos da iniciação científica já participam da organização e triagem dos artigos, para adquirir experiência.

Para o professor Guilherme, o apoio da equipe de pesquisas que faz revisões dá suporte e apoio técnico nas publicações é muito importante, mas também é fundamental o apoio da equipe de TI. “Se não tem um especialista ou um grupo que cuida dessa parte, a revista fica fora do ar por não sei quanto tempo, entra em descrédito”, diz. A Uninter possui 16 periódicos e as equipes de apoio são fundamentais para que eles aconteçam e continuem existindo de forma gratuita.

A professora Larissa também comenta a grande pressão no meio acadêmico para que pesquisadores publiquem seus artigos e por isso muitos acabam buscando as chamadas “revistas predatórias”, que publicam os textos mediante um pagamento, muitas vezes sem critérios e sem revisões.

“O problema não é pagar. O problema é você submeter a uma lógica que fere a questão ética da produção científica (…) e aí não tem uma preocupação com esse debate que a gente já falou, da importância de a gente ter um parecer, de ajustar o nosso artigo, de avançar na pesquisa para conseguir aprimorar aqueles dados, aqueles resultados. E aí se perde essa questão da avaliação por pares, que é essencial na produção acadêmica, que acho que isso é uma coisa superimportante”, pontua.

A professora Desiré comenta também sobre a qualidade e o ranqueamento das revistas acadêmicas, assunto que não é o central para os pesquisadores que procuram uma ciência aberta a todos, mas que tem importância para a vida acadêmica. O professor Guilherme diz que a forma de avaliar a qualidade da revista está em mudança, agora unida à avaliação dos cursos de pós-graduação.

Dessa forma, o periódico é retirado do centro da avaliação e o destaque passa a ser o artigo, a sua visibilidade e relevância à sociedade. A revista não vai deixar de ter importância, mas vai compartilhar a responsabilidade com a capacidade de citações que o artigo tem e o quanto a pesquisa trouxe em termos de contribuição.

Para compreender essa nova forma de avaliação e conhecer o trabalho dos editores científicos, o VII Encontro de Periódicos Uninter completo está disponível no link https://www.youtube.com/watch?v=349WT8_OvIA.

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Autor: Tiago Polonha - Estagiário de jornalismo
Edição: Mauri König


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