Professora da Uninter participa do XII Congresso Latino-Americano de Cuidados Paliativos

Autor: Barbara Carvalho – Analista de Comunicação

Os cuidados paliativos são uma abordagem da saúde integral que busca dar condições melhores a pacientes com doenças crônicas ou incuráveis, focando no alívio da dor, acolhimento integral e suporte familiar. Nele, profissionais da saúde trabalham para aliviar sintomas físicos ou psicológicos, a fim de melhorar os momentos do paciente até o fim da vida.

Essa área do cuidado nasceu na década de 1960, e desde então, vem sendo difundida e estudada para oferecer a melhor abordagem aos pacientes. A fim de discutir os avanços na categoria, a cidade de São Paulo (SP) sediou, dos dias 11 a 14 de março de 2026, o XII Congresso Latino-Americano de Cuidados Paliativos e o XI Congresso Brasileiro de Cuidados Paliativos. O evento reuniu milhares de especialistas da área da saúde, participando dele Fabíola Alves Alcântara, fisioterapeuta doutora em bioética, ética aplicada e saúde coletiva e professora da Escola Superior de Saúde Única da Uninter.

“Participei do congresso apresentando trabalho científico em formato de pôster e acompanhando a programação científica. Foi uma oportunidade de compartilhar experiências, trocar conhecimentos com diversos profissionais e acompanhar as discussões mais atuais da área”, relata.

Com o tema “Tecendo laços de união nos cuidados paliativos para a América Latina: A importância do trabalho em rede”, o congresso buscou fortalecer e expandir a prática dos cuidados paliativos, através da troca de conhecimento, experiências e práticas. “Os cuidados paliativos vêm emergindo cada vez mais, então participar de eventos internacionais permite ampliar a visão, fortalecer redes de colaboração e trazer novas perspectivas para a prática clínica e acadêmica”, destaca.

A Medicina Paliativa é regulamentada por resoluções emitidas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e considerada área de atuação pela Associação Brasileira de Medicina (AMB). Dentro dessa prática, entende-se que somente um profissional não seja suficiente para tratar uma doença grave que atinge não só o paciente, mas também aqueles que o amam. Daí a importância de se ter uma equipe que inclua enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos, terapeutas ocupacionais, capelães, assistentes sociais, entre outros profissionais, para dar conta de uma extensa demanda de necessidades.

“A fisioterapia tem papel essencial no controle de sintomas, manutenção da funcionalidade e promoção de conforto. Ela contribui com intervenções respiratórias, motoras e de manejo da dor, atuando dentro de uma equipe multiprofissional”, descreve Fabíola.

Em maio de 2024, o Ministério da Saúde instituiu a Política Nacional de Cuidados Paliativos (PNCP), estabelecendo diretrizes para que esse tipo de assistência esteja presente em todos os níveis do Sistema Único de Saúde, da atenção básica aos hospitais de alta complexidade. O número de serviços no SUS cresceu, passando de 96 para 123 (aumento de 28,13%) entre 2019 e dados recentes. Apesar dos avanços, o Brasil ainda anda a passos lentos quando o assunto é proposto. Para Fabíola, a falta do cuidado paliativo ainda atinge milhões de pessoas no país.

“Entre os principais desafios estão a falta de políticas públicas estruturadas, acesso ainda limitado aos serviços e formação insuficiente dos profissionais. Estima-se que milhões de pessoas precisem desses cuidados, mas a oferta apesar de estar em crescimento, ainda é pequena e desigual”. Ela ainda completa: “Precisamos avançar na formação acadêmica, na inserção da fisioterapia nas equipes de cuidados paliativos e na produção científica nacional”.

Esta é uma área ainda cheia de mitos ou desconhecimentos. Tratar um paciente com cuidado paliativo não significa fim da vida, mas sim, fazer tudo o que realmente importa para o conforto e a qualidade de vida do paciente. Na área da fisioterapia, outro desconhecimento é que muitos ainda associam a área apenas à reabilitação curativa, quando ela também atua no controle de sintomas e no cuidado de fim de vida.

A atuação dos profissionais que fazem os cuidados paliativos é capaz de mudar não somente a vida do paciente, mas também de quem está ao lado. A relação se torna mais próxima, baseada em escuta ativa, empatia e decisões compartilhadas. O cuidado passa a considerar não apenas a doença, mas a pessoa, sua história, valores e desejos.

O ensino de medicina paliativa tornou-se obrigatório nas faculdades de Medicina desde 2022, ajudando a suprir a falta de especialistas, pois muitos profissionais têm pouco contato com o tema durante a graduação e acabam buscando formação complementar posteriormente. Isso mostra a necessidade de ampliar o ensino dos cuidados paliativos nas universidades. Dessa forma, os estudantes de medicina se preparam para trabalhar em uma área emocionalmente intensa, mas também significativa.

“Trabalhar com cuidados paliativos exige maturidade emocional, suporte da equipe e reflexão constante. Ao mesmo tempo, é uma prática que traz muito sentido e propósito ao cuidado em saúde”, finaliza Fabíola.

 

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Autor: Barbara Carvalho – Analista de Comunicação
Edição: Larissa Drabeski
Créditos do Fotógrafo: Arquivo Pessoal


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