Mulheres ocupam mais da metade dos cargos de liderança na Uninter
Autor: Yasmin Guedes da Silva - estagiária de Jornalismo
Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, o programa Conversa com o Reitor, da TV Uninter, iniciou uma série especial que destaca lideranças femininas da instituição. A primeira edição, transmitida ao vivo em 6 de março de 2026, reuniu a CEO Marlene Telles, a diretora de TI Isis Marcelino e a compliance officer Carolina Gomes Amaral para um diálogo sobre trajetórias profissionais, desafios de gênero no mercado de trabalho e o papel da mulher em posições estratégicas.
Com mediação do reitor Benhur Gaio, o programa destacou dados que evidenciam a representatividade feminina na instituição. Segundo Carolina, atualmente 62% dos colaboradores da Uninter são mulheres. O percentual é superior à média nacional de participação feminina no mercado formal, que, de acordo com a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) 2023, do Ministério do Trabalho e Emprego, é de 44%.
Quanto ao cargos de liderança da Uninter, 52% são ocupados por mulheres. Os números, porém, contrastam com a realidade nacional. Enquanto a instituição se destaca pela representatividade, uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), com base em dados de 2024, apontou que apenas 16,1% dos cargos de administração são ocupados por mulheres no país. Diante desse cenário, a compliance officer celebrou o fato de a Uninter ser a única entre as 250 maiores empresas de ensino superior privado do Brasil a ter uma diretora executiva mulher: “A minha maior alegria é poder dizer que das empresas educacionais superiores de ensino privado, nós temos a única diretora mulher. Só nós temos uma diretora executiva mulher dessas grandes empresas.”
Durante o programa, as convidadas compartilharam suas histórias e os desafios enfrentados ao longo da carreira. Marlene Telles, que retornou à Uninter há um ano como CEO, após 17 anos de casa e uma breve aposentadoria, lembrou os dilemas da maternidade conciliada com a vida profissional. “Se você quer ser mãe em tempo integral, seja. Se quer continuar trabalhando, continue, mas não jogue nas costas dos seus filhos a insatisfação de não ser uma profissional”, aconselhou, citando orientação que recebeu quando os filhos eram pequenos.
Assim como Marlene, Carolina construiu uma trajetória de longa data na instituição. Ela completa 18 anos na Uninter em 2026, onde começou no departamento de compras, atuou na gestão de logística e na área de suprimentos, depois liderou o jurídico e, há quase seis anos, assumiu a implantação do sistema de integridade. Ela contou que esse foi o ponto de virada na carreira: “Aquele foi um momento decisivo, de ter coragem para ir em frente. E aí volto para a questão das parcerias, das inspirações e da certeza de que eu não estaria sozinha.”
Para Isis, primeira diretora de TI da Uninter, que completará dois anos na instituição em abril, o momento decisivo foi quando percebeu a necessidade de entender o negócio como um todo, e não apenas a tecnologia. “A melhor tecnologia do mercado é aquela que entrega o que o negócio precisa. Foi uma construção entender isso”, explicou.
Questionadas pelo reitor sobre que conselho dariam a si mesmas no início da carreira, as executivas ressaltaram a importância da calma, da preparação e do estudo, de escolher bem as referências e de reduzir a autocobrança.
A conversa também abordou as dificuldades enfrentadas pelas mulheres no ambiente corporativo. Carolina expôs que na área jurídica e de compliance, em geral, há equidade em cargos e salários médios, mas a desigualdade aparece nos maiores salários. No setor financeiro, a disparidade é ainda maior em todos os níveis: “Há pouquíssimo tempo atrás, 50, 60 anos, a mulher precisava da autorização do seu marido para abrir conta em banco, para viajar. E isso não mudou com mulheres sentadas na sua casa esperando os homens abrirem esse caminho. Não aconteceu assim. Isso acontece com foice. Você precisa abrir esse caminho com muita determinação”, recordou.
Já na tecnologia, o cenário é crítico. Isis revelou que apenas 20% de sua equipe de TI é composta por mulheres. Na gestão da área, há somente uma mulher na coordenação; gerentes e demais coordenadores são homens. “Quando a gente escolhe a carreira, existem referências que a gente cria. Então, quando não tem muita mulher, parece meio natural que não seja um lugar de conforto”, observou. Ela convocou as mulheres a ocuparem mais espaços: “Eu falo para as mulheres que eu conheço da área de tecnologia que apareçam mais para gerar esse conforto.”
Marlene trouxe uma perspectiva histórica da indústria, onde trabalhou por 23 anos antes da Uninter: “Quando trabalhei na indústria, não havia mulher na área fabril. Hoje temos mulheres supervisoras trabalhando à noite, ferramenteiras, atuando na manutenção de máquinas. A mudança está ocorrendo, ainda que mais lentamente do que gostaríamos”, afirmou.
O reitor ressaltou que na reitoria há seis escolas com paridade de gênero, 50% homens, 50% mulheres. Em licenciaturas, há predominância feminina; em engenharias e tecnologia, baixa presença de mulheres. “Não há restrição nenhuma em relação a essa questão. Quando tem, ocupa o cargo”, afirmou. Também comentou sobre etarismo e destacou que a Uninter valoriza profissionais de todas as idades: “Nós temos aí o professor com 92 anos [Alvino Moser] trabalhando conosco. Um orgulho.”
Paralelamente às discussões sobre gênero e idade, o programa também tratou de governança corporativa. Carolina explicou a importância do sistema de integridade nas organizações, destacando que a reputação de uma empresa pode representar cerca de 30% de seu valor total: “O sistema de integridade protege o CNPJ, mas também protege os CPFs. Não há bem mais precioso do que a construção do nosso nome, da nossa moral, da nossa ética.” Na mesma linha de futuro e inovação, Isis traçou um panorama do futuro da tecnologia na educação, apontando a personalização do ensino como principal tendência: “A tecnologia cada vez mais tem capacidade de captar dados e classificar. A educação vai ser cada vez mais personalizada, porque cada um aprende de um jeito”, afirmou. Já a CEO destacou como principal desafio manter a qualidade do ensino: “Meu maior desafio é continuar levando educação com qualidade, mudando vidas. Investimos para que nosso aluno tenha a melhor educação, sempre preparando ele para o futuro”, disse.
Ao final, as convidadas deixaram mensagens de incentivo. “Nosso papel é inspiracional, de abrir portas. Uma mulher numa mesa de decisão confirma a equidade na prática e aumenta a governança da companhia”, declarou Carolina. Isis desejou que a pauta não fique restrita ao mês de março e que mais homens sigam o exemplo de trazer mulheres para posições importantes. Marlene encerrou com um recado direto às mulheres: “Podem ser o que quiserem. Invistam no que querem ser, não esperem que alguém decida por vocês. Sejam felizes.”
O programa Conversa com o Reitor “Mulheres lideram setores estratégicos da Uninter” está disponível na íntegra no canal da TV Uninter no YouTube. A série especial segue durante todo o mês de março, com transmissão ao vivo às sextas-feiras, às 9h30. Os episódios permanecem gravados no canal, e mais três edições serão publicadas ao longo do mês, sempre com lideranças femininas da instituição.
Edição: Larissa Drabeski
Créditos do Fotógrafo: Reprodução Youtube




