O rádio ainda é o primeiro a dar as últimas

26 de fevereiro de 2016

Por Valdir Cruz*

A internet avançou, voraz, sobre os meios de comunicação tradicionais. O jornal impresso e as revistas foram feridos de morte e têm pouco tempo de vida. A televisão também foi atingida em cheia e nunca mais será a mesma. Já o rádio, fora poucas exceções, soube tirar proveito dos avanços trazidos pela internet. O veículo foi o primeiro a usar o novo termo que designa a interação dos meios com a rede de computadores: convergência. E o rádio acrescentou às suas qualidades, como praticidade, portabilidade e agilidade, àquelas existentes na internet, como a multiplataformas (texto, áudio e vídeo) e o público navegante maciço o tempo todo. As rádios deixaram de ser locais. Agora, são ouvidas em qualquer parte do mundo por meio da internet. As rádios de notícias foram as grandes beneficiadas com isso. A líder no segmento, a Band News FM, já tem mais audiência na plataforma digital do que no meio rádio propriamente dito. Esta mudança é boa para a sociedade e melhor ainda para o profissional do jornalismo. Enquanto em outras plataformas (impresso e TV) os empregos minguam, no rádio tem crescido sem parar. Em Curitiba, há 10 anos, o meio rádio empregava menos de 100 jornalistas. Hoje, esse número já ultrapassa os quinhentos, se contarmos os profissionais que atuam nos setores de assessoria para rádio nas empresas e nos órgãos públicos. Além de crescer na oferta de empregos, a rádio também permitiu uma expansão da opinião e do contraditório nos meios de comunicação. Porque o veículo, pela sua agilidade, pela sua facilidade de comunicação e expressão, ele é feito de opinião. E, nos últimos anos, a opinião, que antes era reservada aos políticos e donos da emissora, hoje já tem mais representantes entre os jornalistas, o que melhorou a qualidade e a independência da análise. Mesmo com todo o avanço da tecnologia, o rádio segue mantendo uma característica imbatível: ele é o primeiro a dar as últimas. Basta um celular e o jornalista, por meio da emissora, já consegue falar com milhares e milhares de ouvintes. No rádio não é necessário digitar nada. Não é preciso editar imagem alguma. A narrativa pode (e deve) ser feita mentalmente e o mais rapidamente possível. Por isso o rádio é um veículo de respeito e que vai sobrevivendo a todos os veículos que prometeram superá-lo, como a TV, os gravadores de áudio e a internet. Assim, o rádio é o veículo mais importante já produzido pela inteligência humana para permitir a comunicação na sociedade.

*Valdir Cruz jornalista, blogueiro e professor do Centro Universitário Uninter.

2 ideias sobre “O rádio ainda é o primeiro a dar as últimas

  1. Muito Legal ainda o sistema do rádio e internet, principalmente,

    sou fã do rádio ainda.

    José Maria da Silva.

    Itapipoca/Ce, 22/ 10/ 2016

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